quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Cronistas usam mesmos argumentos para explicar vitórias e derrotas

Atuações e resultados são analisados a partir da conduta dos técnicos

Flamengo, líder do Campeonato Brasileiro, enfrenta o Grêmio, pela Copa do Brasil.
São dois times que gostam de ficar com a bola, de aproximação e de troca de passes. Possuem um trio de meios-campistas talentosos, que atuam de uma intermediária à outra, formado, no Grêmio, por Maicon, Ramiro e Luan, e, no Flamengo, por Paquetá, Éverton Ribeiro e Diego.
Os dois sistemas táticos são diferentes. O Grêmio é mais forte defensivamente, pois marca bem, com duas linhas de quatro. O Flamengo avança com muitos jogadores e deixa mais espaços em sua defesa, por ter apenas um volante e os zagueiros ficarem muito colados à grande área.
O presidente do Santos, José Carlos Peres, e o técnico Cuca conversam no CT Rei Pelé
O presidente do Santos, José Carlos Peres, e o técnico Cuca conversam no CT Rei Pelé - Flavio Hopp/Agência O Globo
Por outro lado, o Flamengo cria mais chances de gol, por ter um repertório ofensivo maior e chegar à frente com mais atletas.
O Grêmio troca passes muito bem, mas penetra pouco, pois depende demais do hábil e rápido Everton. Luan, Maicon e Ramiro são armadores, e o centroavante, seja quem for, tem poucos recursos técnicos.
O São Paulo, vice-líder do Campeonato Brasileiro, é diferente, na maneira de jogar, de Flamengo e Grêmio. 
A equipe paulista prioriza uma rígida marcação e o contra-ataque. Os dois jogadores pelos lados, Everton e Rojas, são hábeis, rápidos e disciplinados. Marcam e atacam. 
Everton é melhor do que eu achava, embora já o considerasse um bom jogador quando ele atuava pelo Flamengo.
Cruzeiro e Santos também se enfrentam pela Copa do Brasil. 
O Cruzeiro é um time organizado, que marca muito, mas, diferentemente do São Paulo, troca mais passes, fica mais com a bola, sem contra-atacar tanto. 
Quando Mano Menezes escala o trio de meias, formado por Robinho, Thiago Neves e Arrascaeta, melhora a qualidade, mas piora a marcação pelos lados, pela dificuldade de Arrascaeta e Robinho atacarem e defenderem. 
Contra o São Paulo, Mancuello jogou no lugar de Thiago Neves e, como sempre, não jogou nada.
O Santos deve melhorar com Cuca, pois piorar não tem jeito. Apesar da desorganização da equipe, o jovem Rodrygo, de 17 anos, tem mostrado enorme talento. Quem será melhor, Vinícius Júnior ou Rodrygo, ambos negociados com o Real Madrid? Ainda é cedo para dizer. Vinícius Júnior é mais forte e mais rápido. Rodrygo parece mais lúcido nas decisões.
O Atlético-MG, mesmo com a saída de alguns bons jogadores, principalmente Róger Guedes, e a presença de vários titulares fracos, especialmente na defesa, é o quarto colocado do Brasileiro, graças ao bom trabalho do jovem técnico Thiago Larghi. 
Mas, se perder dois jogos, será demitido.
Palmeiras, que tem um bom elenco, despertou uma expectativa maior que a realidade. Com isso, decepciona, frustra, e a culpa é do técnico.
Já o Inter, terceiro colocado, joga mais do que se esperava.
Romero é bom jogador, importante para o Corinthians, pelo lado ou como centroavante, pois se movimenta muito e finaliza bem. Porém, tratá-lo como um grande atacante, artilheiro, por ter feito cinco gols em dois jogos, é quase uma fake news. 
Centroavante bom e promissor é o jovem Pedro, do Fluminense.
Continua a troca de técnicos. A crônica esportiva, me incluindo, ao mesmo tempo em que critica a exagerada troca de treinadores, contribui para isso, ao analisar as atuações e os resultados a partir da conduta dos técnicos. 
Eles são importantes, mas nem tanto. Às vezes, a imprensa usa os mesmos argumentos para explicar a derrota e a vitória.
Tostão
Cronista esportivo, participou como jogador das Copas de 1966 e 1970. É formado em medicina.

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/tostao/2018/08/cronistas-usam-mesmos-argumentos-para-explicar-vitorias-e-derrotas.shtml

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