O peso da tradição e do mental na classificação da Croácia
Duelo foi tão parelho e equilibrado quanto a rica história dos dois no futebol. Melhor para os croatas.
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REUTERS/Maxim Shemetov
Por Leonardo Miranda
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A história não é algo rígido e estático. Ela se modifica e escreve novas páginas a cada segundo. Ou a cada Copa do Mundo, quando novas hierarquias e ordens vão se formulando no jogo mais próximo da vida que temos. Um jogo entre Croácia e Rússia pode provocar arrepios, mas há também uma ordem de grandeza aí, uma casta alterada pela política, mas que reflete na maturidade e na forma de lidar com a pressão de um jogo tão importante como este.
A Croácia tem 27 anos como nação. Chega hoje a sua segunda seminifinal de Copa do Mundo. Na Euro, são duas quartas. Num primeiro olhar, parece ser dotado de certa inocência, mesmo com um talento da envergadura de Modric no time. Ao olhar o jogo, a Croácia pouco jogou, com bola rolando mesmo, neste Mundial. A grande vitória foi contra a Argentina, mas cabe aí uma pequena problematização: não teria sigo aquele placar um tanto dilatado? Afinal, o primeiro gol surgiu de uma falha de Caballero. O peso emocional passou para o adversário, o que diminuiu atenções e abriu espaços para Modric e Raktic brincarem como crianças na defesa argentina. Como saíram os dois gols contra a Nigéria, na estreia? Um escanteio e um pênalti. O mesmo pênalti que fez o segundo da vitória contra a Islândia.
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Zagueiro Vida da Croácia faz gol que classifica a Croácia pras semis até aqui (Foto: Shaun Botterill/Getty Images)
Muitas vezes, nos esquecemos que o futebol é só um pretexto para colocar 22 caras dentro de campo e deixá-los tomar decisões complexas e difíceis o tempo todo. Vemos a bola. O drible, aquela finta maravilhosa. Mas, num instante de segundo, ela nasce na cabeça. No conhecimento de um jogador, em sua experiência e nas situações vividas. A Croácia parece ter chegado a seu ápice de maturidade, em especial porque decidiu duas vagas nos pênaltis, em jogos onde ficou com a sensação que deveria entregar muito mais do que promete.
Ao olhar a lista de grandes talentos que a Croácia tem, imaginamos um grande passeio, como se o bom futebol de todos aparecesse por mágica. Mas veja a imagem abaixo. Aí está um adversário, cujas ambições eram tão nobres como as dos croatas. A Rússia é vencedora de uma Copa à parte: a da surpresa. Porque mostrou que o jogo é tão incrível que permite contrariar as mais absolutas verdades que falamos antes da bola rolar. A organização tática dos russos em todo o Mundial foi pautada a explorar a força física e a velocidade. Eliminaram a Espanha como jogaram nas quartas: com um bloco muito baixo de defesa, uma pressão muito intensa em quem estava com a bola e saídas rápidas e verticais ao ataque.
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A marcação da Rússia (Foto: Leonardo Miranda)
Essa dificuldade não é pouca. A Croácia, assim como o Brasil contra a Bélgica, também joga contra alguém.
Cada um luta com suas armas. Se o jogo se apresenta difícil de rolar com a bola no chão, é hora do zagueiro Vida cabecear e colocar a vaga na prorrogação. Ou de confiar na experiência do goleiro e na qualidade dos batedores. Pênalti é loteria? Jamais saberemos. Mas é uma boa verdade que há muito do mental. De concentração, de lidar com a ansiedade e a pressão do momento. Quem objetiva e bloqueia o "e se" pode se dar melhor.
A Copa do Mundo é cada vez mais mental. Quantos jogos foram revertidos no resultado? Suíça x Sérvia e Bélgica x Japão. É um sintoma de força mental, de acreditar na proposta e organização mesmo quando o cenário é ruim. Suker, o nome da campanha em 1998, possui estilo diferente a Modric e Raktic. Mas é inegável que serve como referência para a criança que começa a jogar futebol, que vê a paixão do jogo e o sente de uma forma única. A Ioguslávia tem 2 semifinais de Copa do Mundo. Na década de 1960, foi vice-campeão da Eurocopa por duas vezes. Não é pouco. A discussão sobre uma camisa pesar ou não jamais chegará num consenso. Mas seu peso não nasceu assim. Foi construído com o tempo, assim como Bélgica e Croácia constroem, aos poucos, suas histórias.
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