quinta-feira, 5 de julho de 2018

COPA DO MUNDO Novos ídolos e heróis

Por ser um evento grandioso, a Copa pode ser o início de paradigmas, mesmo que não sejam verdades

BELO HORIZONTE
Não querendo ser mais crítico que a crítica, penso que a boa atuação da seleção brasileira, contra o México, foi mais individual que coletiva. O México não finalizou nem fez gol pelas deficiências técnicas de seus atacantes. Havia sempre um mexicano para receber a bola, livre, na intermediária do Brasil, mas que errava. Paulinho e, principalmente, Coutinho não voltavam para marcar, o que deixava Casemiro sobrecarregado. Tite demorou para colocar Fernandinho. O time precisa melhorar.
Firmino dentro do gol mexicano
Firmino após segundo gol para o Brasil após marcar contra o México - Fabrice Coffrini/AFP
Nesta quarta (4) e quinta-feira (5) não há futebol na Copa. Estou gostando do Mundial, mas é muito jogo, muita repetição, muito blá-blá-blá nos programas esportivos, muitas enquetes, muitas estatísticas, muitos árbitro de vídeo. Mesmo assim, quando acabar, vou sentir saudades.
Os árbitros de vídeo, estreantes na Copa, têm funcionado bem. Diminuiu o número de erros graves e decisivos. Tinha receio de que o jogo parasse muito, mas isso não ocorreu. As dúvidas continuam em alguns lances, especialmente na marcação de pênaltis, pois são interpretativos. O árbitro de campo tem a última palavra e acerta mais com a ajuda do árbitro de vídeo. Em uma partida, o árbitro de campo não deu pênalti, viu a imagem, por sugestão do árbitro de vídeo, e manteve a opinião. Alguém na transmissão da TV disse que foi uma decisão humana. Seria o árbitro de vídeo um robô?
Na coluna anterior, escrevi que, pelo fato de a Copa ser um torneio curto, não haveria razão para criar novos conceitos, novas verdades. O excepcional goleiro De Gea não virou um frangueiro porque cometeu uma grave falha. Se Gabriel Jesus fizer o gol do título, não se tornará um craque, e, se não fizer nenhum gol no Mundial e o Brasil não for o campeão, não será um centroavante mediano. Há muitos outros exemplos.​
Por outro lado, o Mundial, por ser um evento tão grandioso, pode ser o início de novos paradigmas, mesmo que não sejam verdades. Como Cristiano Ronaldo e Messi já passaram dos 30 anos e já foram para casa, poderia ser a Copa a data oficial da passagem do reinado dos dois, dos últimos dez anos, embora continuem em forma? Ninguém é eterno. A sociedade do espetáculo tem uma grande necessidade de criar novas caras, marcas, produtos, heróis e ídolos, mesmo que o herdeiro seja um jovem veloz francês, à la Bolt, de 19 anos, ou que dê dez cambalhotas, após uma dura falta.
Tostão
Cronista esportivo, participou como jogador das Copas de 1966 e 1970. É formado em medicina.
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/tostao/2018/07/novos-idolos-e-herois.shtml


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