Superior na América do Sul, falta ao Brasil enfrentar grandes da Europa

Tite conversa com jogadores durante treino em Quito, no Equador, antes de jogo pelas eliminatórias
Nas duas últimas Copas de Mundo, houve boa participação e evolução das seleções sul-americanas. Eu esperava, nas eliminatórias atuais, muito mais qualidade. O Brasil é exceção. As nove vitórias e as ótimas atuações são decorrentes dos méritos da equipe e também da surpreendente fragilidade dos rivais.
Por causa das diferenças na formação dos jogadores e na maneira de atuar, Europa e América do Sul possuem características próprias. A globalização tem limites. Existem também particularidades em cada país de um mesmo continente.
No Brasil, há décadas, o meio-campo é dividido entre os volantes que marcam e os meias que atacam. Desapareceram os clássicos meio-campistas, que atuam de uma área à outra. As jogadas de ataque passaram a ser feitas mais por chutões, passes longos, estocadas individuais e pelo avanço dos laterais. Por isso, predominam os meias e atacantes habilidosos, velozes e que gostam do confronto individual.
Já na Europa, como os laterais sempre foram defensores, os armadores tiveram de ser ofensivos e defensivos. Assim, houve um predomínio de meio-campistas de talento, que gostam de trocar passes e de ter o comando da bola e do jogo.
Há exceções nos dois continentes. Essa diferença também tem mudado. Existe uma nítida preocupação, na Europa, em formar meias e atacantes hábeis e velozes e, no Brasil, em formar volantes com habilidade, que marcam e atacam.
As características dos jogadores e da maneira de atuar têm a ver também com a genética, as diferenças culturais, econômicas e sociais e os comportamentos emocionais.
Os argentinos tinham esperança que Sampaoli formaria, rapidamente, um ótimo conjunto, como ocorreu com Tite, no Brasil. Houve mudanças táticas, o time dominou a partida contra o Uruguai, mas criou pouquíssimas chances de gol, dependente demais de Messi, muito marcado, às vezes, com violência. O centroavante Icardi quase não pegou na bola. O jovem meia Dybala ficou perdido, sem saber seu lugar, geralmente, ocupando o mesmo espaço de Messi.
Como era previsto, o Brasil, pela primeira vez, com Tite, usou uma opção tática para mudar o jogo. É um avanço. Após um primeiro tempo ruim, o time melhorou muito, com a saída de um volante (Renato Augusto) e a entrada de um meia pelo centro, Philippe Coutinho. Isso não significa que esta é a melhor alternativa para começar o jogo.
O Equador só se defendia, e era necessário trocar um jogador de meio-campo por outro mais próximo ao gol. Paulinho, mais uma vez, mostrou que é um ótimo armador atacante e um discreto meio-campista. Tite sabe disso e o usa muito bem. No Tottenham, queriam que ele fosse um clássico meio-campista.
Neymar atuou mal, quase somente pelo meio, onde tentava driblar milhares de pernas. Por causa da fama crescente e de ser agora a grande estrela do PSG, parece ter havido, contra o Equador, um retrocesso, uma obsessão por driblar vários jogadores, em todos os lances, e fazer gols de placa, como ocorria no Santos.
São indiscutíveis as qualidades da seleção brasileira, mas não haveria excessiva valorização, por causa da enorme superioridade sobre os times sul-americanos? Imagino que os confrontos contra as melhores seleções europeias serão equilibrados, sem favoritos. Nesta situação, o talento de Neymar será essencial.
Nas duas últimas Copas de Mundo, houve boa participação e evolução das seleções sul-americanas. Eu esperava, nas eliminatórias atuais, muito mais qualidade. O Brasil é exceção. As nove vitórias e as ótimas atuações são decorrentes dos méritos da equipe e também da surpreendente fragilidade dos rivais.
Por causa das diferenças na formação dos jogadores e na maneira de atuar, Europa e América do Sul possuem características próprias. A globalização tem limites. Existem também particularidades em cada país de um mesmo continente.
No Brasil, há décadas, o meio-campo é dividido entre os volantes que marcam e os meias que atacam. Desapareceram os clássicos meio-campistas, que atuam de uma área à outra. As jogadas de ataque passaram a ser feitas mais por chutões, passes longos, estocadas individuais e pelo avanço dos laterais. Por isso, predominam os meias e atacantes habilidosos, velozes e que gostam do confronto individual.
Já na Europa, como os laterais sempre foram defensores, os armadores tiveram de ser ofensivos e defensivos. Assim, houve um predomínio de meio-campistas de talento, que gostam de trocar passes e de ter o comando da bola e do jogo.
Há exceções nos dois continentes. Essa diferença também tem mudado. Existe uma nítida preocupação, na Europa, em formar meias e atacantes hábeis e velozes e, no Brasil, em formar volantes com habilidade, que marcam e atacam.
As características dos jogadores e da maneira de atuar têm a ver também com a genética, as diferenças culturais, econômicas e sociais e os comportamentos emocionais.
Os argentinos tinham esperança que Sampaoli formaria, rapidamente, um ótimo conjunto, como ocorreu com Tite, no Brasil. Houve mudanças táticas, o time dominou a partida contra o Uruguai, mas criou pouquíssimas chances de gol, dependente demais de Messi, muito marcado, às vezes, com violência. O centroavante Icardi quase não pegou na bola. O jovem meia Dybala ficou perdido, sem saber seu lugar, geralmente, ocupando o mesmo espaço de Messi.
Como era previsto, o Brasil, pela primeira vez, com Tite, usou uma opção tática para mudar o jogo. É um avanço. Após um primeiro tempo ruim, o time melhorou muito, com a saída de um volante (Renato Augusto) e a entrada de um meia pelo centro, Philippe Coutinho. Isso não significa que esta é a melhor alternativa para começar o jogo.
O Equador só se defendia, e era necessário trocar um jogador de meio-campo por outro mais próximo ao gol. Paulinho, mais uma vez, mostrou que é um ótimo armador atacante e um discreto meio-campista. Tite sabe disso e o usa muito bem. No Tottenham, queriam que ele fosse um clássico meio-campista.
Neymar atuou mal, quase somente pelo meio, onde tentava driblar milhares de pernas. Por causa da fama crescente e de ser agora a grande estrela do PSG, parece ter havido, contra o Equador, um retrocesso, uma obsessão por driblar vários jogadores, em todos os lances, e fazer gols de placa, como ocorria no Santos.
São indiscutíveis as qualidades da seleção brasileira, mas não haveria excessiva valorização, por causa da enorme superioridade sobre os times sul-americanos? Imagino que os confrontos contra as melhores seleções europeias serão equilibrados, sem favoritos. Nesta situação, o talento de Neymar será essencial.

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