segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Tite apoia reivindicações de técnicos: "Falta evolução no futebol brasileiro"

Técnico da Seleção participa de evento com treinadores na CBF e integra comitê que leva sugestões à diretoria da entidade: "Ninguém tem vara de condão para fazer time jogar em três meses"

Por Daniel Mundim e Igor Rodrigues, Rio de Janeiro
 
Os técnicos brasileiros têm um importante aliado em suas reivindicações junto à CBF. O treinador da seleção brasileira, Tite, participou do encontro promovido pela Federação Brasileira da categoria (FBTF) nesta segunda-feira. Ele também integrou o comitê que levou as propostas de mudanças para a diretoria da entidade nacional e endossou o discurso dos colegas. É favorável ao limite de transferências de treinadores entre os clubes em nome da estabilidade no cargo.
– Vejo com tristeza (falta de sequência dos técnicos). Falta de evolução do futebol brasileiro. Descritério, despreparo das pessoas que comandam, falo dos dirigentes, sim. De entender que deva ser escolhido o profissional e que ninguém tem vara de condão para fazer, em três meses, uma equipe jogar da forma que as torcidas e os clubes querem. É preciso que haja um mínimo de tempo. E que no planejamento já esteja inserido o aleatório, o circunstancial, aquilo que não está previsto – opinou Tite.
Tite prestigiou reunião de treinadores na sede da CBF nesta sgunda-feira (Foto: Daniel Mundim)Tite prestigiou reunião de treinadores na sede da CBF nesta sgunda-feira (Foto: Daniel Mundim)
Tite prestigiou reunião de treinadores na sede da CBF nesta sgunda-feira (Foto: Daniel Mundim)
O comandante da Seleção citou os dados atuais do Brasileirão, no qual 12 técnicos já foram demitidos. Ele reforça que a alta rotatividade afeta o nível técnico da competição. E prejudica a evolução dos clubes. Portanto, para Tite, é necessário criar uma limitação, como a sugerida pela Federação Brasileira de Treinadores de Futebol.
– É impossível desenvolver seu trabalho onde há 19 rodadas e há 42 trabalhos diferenciados. Não só trocas, mas entre interino, substituição, aí volta outro técnico. O futebol não evolui dessa forma. Tem que restringir. Mas que um clube possa ter dois profissionais apenas para trabalhar, e restringir a nós profissionais também para dois locais para trabalhar passa a ser importante para para fazer "escolha bem e dê funções para trabalhar".
Pela sugestão encaminhada à CBF pela FBTF, um clube só poderia trocar o comando duas vezes em cada série do Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil. O técnico só poderá trabalhar em mais de uma equipe na mesma competição. A intenção é que a norma seja incluída no Regulamento Geral de Competições, tática que retiraria a possibilidade de aprovação dos clubes.
Tite, ao lado do presidente da CBF, Marco Polo del Nero, em reunião da diretoria da entidade com treinadores (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)Tite, ao lado do presidente da CBF, Marco Polo del Nero, em reunião da diretoria da entidade com treinadores (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)
Tite, ao lado do presidente da CBF, Marco Polo del Nero, em reunião da diretoria da entidade com treinadores (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

Tite, sobre estrangeiros: "A concorrência só qualifica"

Diante da repercussão causada pelas declarações de Jair Ventura, técnico do Botafogo, sobre a contratação do colombiano Reinaldo Rueda, Tite também foi questionado sobre a presença de estrangeiros no comando dos clubes brasileiros. Ele é a favor da exigência de licenças para que treinadores de outro país atuem no Brasil. Mas ressalta que isso só reforçaria a qualidade das equipes.
"Queremos todos. Não há diferença de país. Não há absolutamente nada. A concorrência, em termos elevados, só qualifica. O detalhe não é estrangeiro ou não estrangeiro. É de qualidade ou não qualidade. A nossa exigência, o nosso enfoque é outro"
O comandante da Seleção também reiterou a importância da aceitação internacional das licenças de treinadores brasileiras. O item é uma das reivindicações da classe: que a CBF atue para que seus cursos sejam aceitos nos outros países.
– O que os cursos brasileiros precisam: ser reconhecidos via Conmebol, e com padrão Uefa. Queremos ter essa equiparação dos cursos, que avaliem, mas tem que ser através de Conmebol. É essa nossa busca.

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