Antônio Fernando Oliveira (Besouro)
Charles Meira
Com algumas dificuldades, continuo buscando dados para melhorar a história da Associação Desportiva Jequié. Na terça-feira 21/03 visitei Antônio Fernando Oliveira (Besouro), goleiro do time amador do Flamengo de Jequié, da Seleção de Jequié e da ADJ no final da década de 60 e nos anos de 1970, 1971 e 1972 na sua residência.
Contando que Dona Dete, sua vizinha na época que morava em Ipirá – BA, disse para sua mãe que sua criança gritava muito, brigava, fazia zoada, parecendo um besouro, meu entrevistado justificou inicialmente a razão do seu apelido.
Em seguida falou que começou a jogar futebol com 16 anos de idade. De Ipirá sua terra natal foi para o Rio de Janeiro – RJ, onde jogou pelo período de 01 ano no juvenil do Botafogo do Rio de Janeiro – RJ, época que Garrincha, Manga, Nilton Santos, Zagalo, jogavam na equipe da “Estrela Solitária” de General Severiano. Com 20 anos de idade, “Besouro” veio de Ipirá jogar no time amador do Flamengo de Jequié - BA, convidado pelo seu presidente Maneca Sampaio, ocasião que a cidade tinha 10 times amadores e disputavam o futebol amador no estádio Aníbal Brito. No amador “Besouro” somente jogou no Flamengo e considera seu presidente Maneca Sampaio, o maior dirigente que teve em Jequié. Disse que Sampaio foi bom demais e gostava do futebol, tinha dinheiro, pagava tudo, porque também era Flamenguista. Lembra que no amador era remunerado, ganhava, era um funcionário marrom, marrom era aquele jogador que não jogava profissionalmente, mas ganhava dinheiro, porém não tinha contrato. Sem sequência de tempo e data, não parava de falar. Contou que a sede do time do Flamengo de Jequié era na Mota Coelho, local onde foi posteriormente à sede da ADJ. Sede boa tinha uns 05 apartamentos, dava orgulho e prazer de morar, uma delicia para aquele tempo.
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| Maíca, Tufu, Besouro, Zé Augusto, Ige e Carlinhos. Agachados: Tanajura, Dilermando, Dete Leão, Maneca e Itacaré. |
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Besouro com a faixa de campeão do Intermunicipal do ano de 1969, jogo Seleção de Jequié
3 X 0 Seleção de Vitória da Conquista em 25/10/1969. |
Fomos depois para a Seleção de Jequié para jogar o Intermunicipal de 1969. Besouro Jogava e Edmilson também e foram campeões neste ano. No mesmo ano a Federação convidou a ADJ para disputar o Campeonato Baiano de 1970. O time do Flamengo foi à base da ADJ, 90% foi, exceção de alguns jogadores que vieram de fora como: Chinesinho, Esquerdinha, Paiva, Jorge Lima e outros mais para completar o elenco. Geraldo Pereira era o técnico, entretanto Maneca Mesquita era coordenador, ajudava lá, fazia parte também. Maneca Mesquita foi um baluarte, gente boa, um bom técnico tão bom que dirigiu a gente. Geraldo Pereira era mais grosseiro, Maneca era maneiro, Geraldo era mais física, Maneca tinha outro palavreado, Geraldo não era igual à Maneca, o português dele era melhor, mais polido, isso eram as coisas do futebol. Nelson Moraes homem bom, espetacular, botou o time para cima e teve também Ewerton Almeida, João Santana, Waldomiro Costa, Badica, Doutor Gilson homem de bem, foi quem ajudou mais o Jequié na parte médica, junto com o seu pai Manoel Fonseca, que dava dinheiro a jogador do bolso dele. O time de 70 foi espetacular, um time bom, competitivo, bem condicionado fisicamente, disciplinado. O meu primeiro contrato foi de 200 mil e todos os jogadores do time assinaram 200 mil por mês. A primeira sede foi na Mota Coelho, quando saiu da Mota Coelho foi para onde é a Maçonaria hoje, era do Butantã, que sedia para a ADJ. Não era do Jequié a ADJ apenas usava. No local ficavam concentrados os jogadores: Maíca, Dilermando, Edmilson, Carlinhos, Jurandir, Tanajura, Maneca, e o massagista Foca. O ambiente era muito bom, os quartos bem arrumados, organizados, cozinheira boa e comida também, éramos bem tratados nesse ponto. Durante a conversa solicitei que “Besouro” contasse um fato engraçado citado por Maíca, acontecido na concentração. Com uma gostosa gargalhada e a confirmação da sua esposa, contou que quando jovem era sonâmbulo e na concentração levantava altas horas da noite e ficava zanzando, caminhando, falando segredos que os colegas propositalmente perguntavam. Carlinhos, Maíca, companheiros de quarto levantavam também e o despertava, pois queria a todo custo sair da sede. Outro que divertia muito a turma era o massagista foca, era folclórico, sujeito espetacular. Tenho orgulho de ter sido jogador da ADJ, não ganhei dinheiro, mas ganhei amizade, conhecimento. Na ADL quando jogávamos era bicho certo. Certa ocasião, o finado Nelson Moraes, acertou que a cada jogo que ganhássemos o bicho dobraria. E foi dobrando, dobrando e alguns da diretoria não concordaram com o acordo e teve desavença lá e Nelson pediu demissão.
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| Nelson Moraes, Maneca Sampaio, Maica, Tufu, Zé Augusto, Bizouro, Jurandi e Carlinhos. Agachados, Flori, Chinezinho, Maneca, Tanajura, e Marcos. |
“Besouro” deu uma pausa na entrevista para fumar um cigarro. Em seguida continuou falando o que desejava. Respondeu ao meu questionamento sobre a venda de Tanajura para o Bahia. Tanajura não foi vendido, ele tinha passe livre e foi jogar no Bahia. Nesse tempo não vendia jogador, Tanajura tinha contrato mais venceu e foi liberado pela ADJ. Foi um orgulho para ADJ ele jogar no Bahia.
Depois relatou que na ADJ foi jogador, presidente quando o time foi dirigido por uma junta governativa formada por ele, Tibúrcio, Evandro e Bria, no ano de 1972 e que posteriormente foi técnico da ADJ, época que ”Besouro” tinha parado de jogar. Comandou tecnicamente o Jequié umas três ou quatro vezes, inclusive num torneio realizado na cidade de Ilhéus e foi auxiliar também dos técnicos Jorge Costa e Enaldo Rodrigues, grandes treinadores.
Nesse momento repentinamente “Besouro” começou a chorar copiosamente como chora uma criança quando está com fome. Ficou muito emocionado e tivemos que parar a entrevista por alguns minutos para ele lavar o rosto e recuperar da emoção. Passados alguns minutos, sentou e disse que no tempo que jogavam bola eram felizes e não sabiam. Que a ADJ divulgou a cidade de Jequié em todo o Brasil, na década de 70, época que tinha a Loteria Esportiva. Que o Jequié foi convidado para jogar em Tacoma Parque nos Estados Unidos, Infelizmente o jogo não deu certo. Que a historia do Jequié é essa e quem construiu foi esse grupo, sem eles não teria a ADJ. Encerrou a conversa dizendo que Jogou na ADJ até 06 de novembro de 1972, época que teve problema no joelho e deixou de jogar futebol.
“Besouro” após deixar o futebol foi administrador do estádio Waldomiro Borges durante 18 anos, nas administrações dos prefeitos: Lomanto, Reinaldo e Luiz Amaral e espera que pessoa que está dirigindo o estádio tenha amor e conhecimento da função que exerce. Em seguida falou que tudo que tem no estádio foi feito na sua administração. O placar eletrônico, os refletores, a ampliação dos refletores, as portas de acesso para sair do estádio, as reformas do estádio, a lage nos vestiário e colocou ar condicionado nas bilheterias. Foi também comerciante e hoje está aposentado e cuidando dos netos.
Encerrou a entrevista dizendo que temos que pedir a Deus para a ADJ subir e que todos ajudem. Que está vendo falar dessa parceria e que no dia 16/04 estará no estádio torcendo pelo Jequié. Que vai torcer para tudo dar certo. Que não é cabível que uma cidade com 160 mil habitantes, um estádio razoável, não tenha um time disputando o Campeonato Baiano da primeira divisão.




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