Zanetti presta continência, mas técnico ataca: "Pegar atleta pronto é fácil"
Membro da Força Aérea Brasileira, ginasta repete gesto de Nory no pódio. Treinador, porém, cobra maior investimento na base e pede apoio aos técnicos no novo ciclo.
Por Alexandre Alliatti, Amanda Kestelman, João Gabriel Rodrigues e Marcos GuerraRio de Janeiro
Arthur Zanetti presta continência no pódio com a medalha de prata no peito (Foto: Agência Getty Images)
Zanetti comemora o resultado na final das argolas com o técnico Marcos Goto (Foto: Reuters)
Quando subiu ao pódio, Arthur Zanetti ergueu o braço e levou a mão à testa. Atleta da Aeronáutica, o ginasta comemorou a prata nos Jogos do Rio com uma reverência à entidade, assim como fizera Arthur Nory ao festejar o bronze no solo. Com duas medalhas olímpicas no currículo, o brasileiro se uniu à Força Aérea Brasileira a menos de dois meses dos Jogos do Rio Rio. O fato, aliás, incomodou o técnico, Marcos Goto. Diante da crescente de atletas ligados a forças armadas, criticou o fato de o investimento só ser feito em nomes do esporte de alto rendimento.
Arthur Zanetti presta continência no pódio com a medalha de prata no peito (Foto: Agência Getty Images)
- São militares? Ou são atletas que são militares? Eles não treinam lá, só são contratados por eles. Eu que dou treino para o meu atleta, não são militares. Polêmica sempre vai gerar, se presta continência ou se não presta. Se é militar, dá polêmica; se não é militar, dá polêmica. Tudo dá polêmica no Brasil. Não sei qual é o salário que dão para o Arthur. Gostaria que os militares fizessem um trabalho de base, tiraria o chapéu para eles. Agora, apoiar atleta de alto nível é muito fácil. Quero ver apoiar a criança até chegar lá. O dia em que os militares fizerem escolinhas e apoiarem iniciação esportiva, apoiarem treinadores, aí vou tirar o chapéu. Por enquanto, não. Pegar atleta pronto é muito fácil.
Zanetti fugiu da polêmica. O ginasta ressaltou a importância do investimento feito por seu clube, em São Caetano do Sul. E falou do apoio dado pela Força Aérea Brasileira.
- A gente tem nosso clube, a prefeitura que acaba bancando. Isso nem sempre é uma certeza. Mas sempre me ajudaram bastante. Não só eles, mas São Caetano do Sul, a cidade que treino. Meus patrocinadores e a Força Aérea Brasileira, também me ajudando bastante na minha carreira. (Prestei a continência) porque acho que um modo de expressar, dentro do meu país. E como faço parte da Força Aérea Brasileira, é um momento de felicidade, de alegria, para todo país.
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Goto saiu da competição satisfeito com o rendimento de Zanetti. Diante da ótima exibição do grego Eleftherios Petrounias, festejou a prata. Mas, além das críticas aos militares, também reclamou do apoio dado aos técnicos dos atletas. O treinador espera que a situação mude até os Jogos de Tóquio.
- Nós estamos no Brasil. Temos medo a todo momento. Temos material. Acho que falta treinador. Vou te dar um exemplo: todos os atletas ganharam um telefone. Treinador ganha o quê? Nada! Medalhista ganha uma premiação. O que o treinador ganha? Nada. Para o Japão seria bom que todas as modalidades deixassem os treinadores em casa. Vamos ver o que vai acontecer na competição, porque treinador não serve para nada.
O técnico também é pessimista quanto à redução do investimento feito na ginástica após os Jogos do Rio. Goto acredita que se não houver diminuição do incentivo, os resultados devem melhorar em Tóquio. Mas reconhece que os atletas com maior rendimento deverão ser os alvos das receitas no próximo ciclo olímpico.
- Pode perder (o investimento) dependendo de quem vai liderar o processo. Nós conseguimos uma coisa que a ginástica não tinha no país, que é estrutura física, não tínhamos material. Hoje temos material sobrando no país. Se mantiver o que foi feito na ginástica (em termos de investimento), vamos ficar muito bem. Se cair, vai se apoiar quem já tem medalha e quem tem maior chance de medalha - afirmou.
Zanetti comemora o resultado na final das argolas com o técnico Marcos Goto (Foto: Reuters)
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