HISTÓRIA DO ZAGALLO - ´POR Luis Carlos Quartarollo
Prometi duas histórias com Zagallo e vou contar pelo menos uma. Copa America de 2004, Arequipa, Peru. Zagallo era coordenador e Parreira treinador. Eu como não estava no hotel da seleção, acordava cedo e depois do banho o café e lá ia eu para a concentração brasileira. Só entrava quem estava credenciado. Eram outros tempos para a nossa cobertura e também da seleção que falava mais e ainda mais também. Foi campeã daquele torneio. Havia sempre muita gente na porta do hotel. Um dia cheguei e uma moça pequenininha, bem mirradinha, cara de Índia, com um gravador na mão, me pediu ajuda. Precisava falar com o senhor Zagallo e não deixavam ela entrar sem credencial. Era de uma rádio pequena de uma cidade do mesmo tamanho do interior do Peru. Não estava na cobertura diária da seleção. Era uma matéria especial. Pedi que esperasse para ver se eu podia ajudá-la e quando entro no hotel olho para o café e quem está lá? Zagallo, que sempre acordou cedo, já estava a postos. Me chamou para sentar a mesa com a brincadeira de sempre: "caiu da cama ou não dormiu, vai dizer que veio direto?" Contei sobre a repórter que há dias ficava na porta do hotel para falar com ele. Zagallo se levanta da mesa e vai lá fora em direção a moça que apontei. Põe a mão no seu ombro e a leva para dentro avisando aos seguranças que é sua convidada. Manda servirem o café também para ela e dá uma de suas melhores entrevistas. Para Zagallo apenas mais uma de sua vitoriosa carreira, para a repórter quase anônima a entrevista da vida. Quando a moça se despediu super agradecida, ele a acompanhou até a porta e chamou o chefe da segurança para fazer um pedido. "Se alguém quiser falar comigo, me chame. Principalmente se for alguém que só quer trabalhar". Por essas e outras que sempre respeitei muito o velho Lobo. Amanhã conto a outra história que fiquei devendo.

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