Brasil 0 x 0 Iraque - os bobos no futebol
por Leonardo Miranda
A Seleção ainda não jogou bem nas Olimpíadas. Renato Augusto e Neymar estão em ritmo físico abaixo. 4 jogadores do empate com o Iraque não participaram da preparação inteira. Ontem foram 10 finalizações no primeiro tempo, um segundo tempo de queda após a entrada de Luan e muito nervosismo e bolas alçadas no fim do jogo.
O modelo está lá. É possível ver uma ideia sendo executada e uma evolução dela do jogo contra a África do Sul para cá. Um exemplo: Renato Augusto abre, Gabriel fica por fora e Zeca procura os espaços entre as linhas do Iraque para conduzir a bola até a área. Uma troca de posição que faz parte desse modelo de jogo.
No futebol se escolhe caminhos e ideias a seguir. São convicções do que fazer. A insistência com um determinado tipo de jogo é uma convicção, dê certo ou não. E não está. E os motivos para isso são diversos. Do pouco tempo de preparação até o jogo muito abaixo de Gabriel Jesus e Neymar. Da cobrada exagerada…
No futebol se escolhe caminhos e ideias a seguir. São convicções do que fazer. A insistência com um determinado tipo de jogo é uma convicção, dê certo ou não. E não está. E os motivos para isso são diversos. Do pouco tempo de preparação até o jogo muito abaixo de Gabriel Jesus e Neymar. Da cobrada exagerada…
“Cobrança!? Contra a naba do Iraque? Aqui é Brasil! Pentacampeão! Tem que atropelar e vencer de goleada no mínimo!”
Se você ouviu isso em rede nacional ou leu algo semelhante durante o jogo, lembre-se da frase “não existe mais bobo no futebol”. Pode ser brincadeira, mas expressa algo que realmente ocorre: não existe mais mesmo. Hoje o acesso a informação é livre para todos. Países sem tradição como Iraque, China e Israel importam treinadores, apostam num projeto a longo prazo e vão colhendo pouco a pouco os resultados.
O Iraque, infinitamente inferior tecnicamente ao Brasil, praticou o básico do futebol atual e conseguiu tirar todo o poder ofensivo de Neymar, Luan, Gabriel e Renato Augusto: linhas próximas, pressão na bola, defesa montada em zona e sempre fora da área. De novo, básico. Básico que poucos times no Brasileirão fazem.
Não é que o Brasil piorou, foram os adversários que melhoraram...e muito. E o pensamento aqui - do torcedor, da imprensa e de muito dirigente - não acompanhou a evolução. Basta ver os chiliques e pitis de raiva pós-derrota: "o Micale não é tão bom assim".
Não é que o Brasil piorou, foram os adversários que melhoraram...e muito. E o pensamento aqui - do torcedor, da imprensa e de muito dirigente - não acompanhou a evolução. Basta ver os chiliques e pitis de raiva pós-derrota: "o Micale não é tão bom assim".
Aí fica a pergunta: o que o Micale (poderia ser o Dunga, o Felipão) vão fazer em 15 dias de preparação, com 4 jogadores chegando depois? 15 dias. O brasileiro, por traço cultural, é avesso a processos. Um ser ansioso. Quer resultados complexos de forma simples, e pra já. Logo no futebol, onde o peso do tempo está cada vez maior.
Nessa de ignorar como as coisas funcionam e focar nas pessoas, caímos no vilanismo barato de apontar culpados, de identificar traços de comportamento. Hoje é o Micale e o Neymar, mas já foram David Luiz e Felipão, Dunga e Daniel Alves, o "quarteto mágico" e por aí vai. É o mesmo vilanismo e heroismo que causa demissão em massa de técnicos, dispensas na base, prejuízo aos clubes...e todo aquele círculo vicioso que estamos carecas de saber.
Nelson Rodrigues podia não saber, mas moldou o pensamento de uma geração com seus artigos. Basta ver um artigo de 1956, sobre o jogo Brasil x Hungria em 54: Creio mesmo que, em técnica, brilho, agilidade mental, somos imbatíveis. Eis a verdade: — antes do jogo com os húngaros, estávamos derrotados emocionalmente."
Ou seja: "o Brasil perdeu para ele mesmo". O que você ouviu ontem na transmissão mesmo? Você pode não se lembrar, mas a Holanda em 1974 tinha a mesma expressividade no cenário mundial que o...Iraque. Achamos que a "Amarelinha ia passar por cima". Que era uma "naba". A gente se nega a evoluir.
Prepotência. Arrogância. Ignorância. Hipocrisia. Bobo não é o Iraque, é o Brasil. Que ainda acredita que vai aparecer um salvador da pátria....que ainda acha que com 15 dias um técnico, qualquer um, vai salvar a pátria. Afinal, "no meu tempo era assim". Mas os tempos mudaram. E a gente se esconde nos sentimentalismos, não querendo aceitar a verdade.
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