Vitória jogada fora
Empate pode ser considerado uma vitória para o São Paulo e uma derrota para o Flamengo
Flamengo e São Paulo fizeram um jogo interessante, sobretudo no primeiro tempo, e cheio de contrastes no segundo, alternando jogadas de categoria e falhas gritantes dos dois lados. Da forma como se desenrolou a partida, o empate de 2 a 2 pode ser considerado uma vitória para o São Paulo e uma derrota para o Flamengo, que desperdiçou um pênalti nos acréscimos finais, com Alan Patrick batendo para fora.
Uma rodada ruim para o futebol carioca, porque Fluminense e Botafogo foram derrotados, no placar e de fato, por Sport e Corinthians, respectivamente. No jogo em Brasília, com mando de campo do Flamengo, o São Paulo fez o primeiro gol, quando Calleri penetrou na defesa rubro-negra aberta e colocou no canto. Mas era o Flamengo que dominava o campo, como no resto do jogo também, com mais posse de bola e muito mais chutes a gol. Mas só empatou, pouco depois, por causa de um gol contra de Rodrigo Caio.
O segundo tempo definiu a tônica do jogo. O jovem Calleri colocou o São Paulo de novo em vantagem e foi expulso mais adiante porque, além de fazer gols, passa o tempo todo empurrando ou agarrando os adversários e reclamando do árbitro.
Com Willian Arão, de cabeça, o Flamengo já tinha empatado e, depois, com um homem a mais, ampliou o domínio, sobretudo por causa da dupla de meio-campo formada justamente por Arão e Alan Patrick, os destaques do time. Pois foi exatamente um deles, Patrick, que perdeu o pênalti, de forma bisonha, jogando fora a bola e a vitória.
Difícil mesmo para o Flamengo tem sido armar um ataque produtivo com Cirino, Everton, Felipe Vizeu (por enquanto), Gabriel, Sheik e outros.
Modelo perdido
Se há motivo para um treinador ficar irritado, a derrota do Vasco para o Paysandu (2 a 0), diante de sua torcida, em São Januário, justifica a reação de Jorginho ainda no primeiro tempo.
Depois que o termo “apagão” virou moda no futebol brasileiro (graças ao 7 a 1), muita gente atribui derrotas a esse tipo de percalço que aflige os jogadores. Jorginho, não. Sabe que a atuação de sábado foi indesculpável. Uma outra impressão, acredito que esta mais palpável, é que a quebra da invencibilidade do Vasco, duas rodadas atrás, depois de 34 partidas sem perder, mexeu com a confiança e sobretudo com a organização do time, que foi justamente uma das virtudes produzidas por Jorginho.
Foi assim que, depois de um início animador, com Nenê mandando a bola na trave, o Vasco se desmanchou no próprio campo. Pois até ele, Nenê, parou de jogar e, quando Nenê não aparece, os companheiros somem junto com ele. Andrezinho, por exemplo, seu parceiro na criação de jogadas, perdeu a inspiração. Aos poucos, o Paysandu, que andava à beira do Z-4, foi criando situações de alto risco para os donos da casa, sobretudo em contra-ataques que furavam a defesa vascaína, surpreendentemente desorganizada.
Depois do jogo, Jorginho assumiu a responsabilidade de ter enfraquecido sua defesa, ao substituir os volantes Marcelo Mattos e William por jogadores mais ofensivos como Éder Luís e Caio Monteiro. Foi quando o Paysandu marcou seus dois gols, ambos de Jhonnatan, e liquidou a questão. Mas, pelo que o Vasco (não) estava jogando, as mudanças foram compreensíveis.
Agora, uma preocupação paira em São Januário: Jorginho tem mostrado que sabe organizar o time, mas, na insensatez que é o futebol brasileiro, o próximo jogo é amanhã mesmo, na casa do adversário, o Londrina. O Vasco vai ter que reencontrar logo o modelo de jogo da sua longa invencibilidade.
Novidade na América
Por falar em organização, se um time me surpreendeu nesta Copa América, foi o da Venezuela. Mesmo perdendo de 4 a 1 para a Argentina, nas quartas de final. A surpresa não está no vencedor, nem no placar contundente. A surpresa foi o jogo coletivo da Venezuela, que nada ficou devendo ao da Argentina (estou falando apenas do jogo coletivo).
A Venezuela, dirigida por Rafael Dudamel, contribuiu da mesma forma que a Argentina na fluência e na movimentação da partida, agradável de se ver. Para um país que jamais se afirmou no futebol, foi uma novidade muito bem-vinda. O placar se explica pela diferença da qualidade individual. Tanto que, dos quatro gols marcados pela Argentina, três tiveram a colaboração de jogadores venezuelanos, com erros individualmente primários.
Ao que tudo indica, Messi está se ambientando na seleção de seu país da mesma forma como sempre se ambientou no Barcelona. Jogou como o craque que é. Amanhã mesmo, poderemos ter mais uma prova, na fase semifinal da Copa América, contra os Estados Unidos.

COLUNA
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