sábado, 19 de julho de 2014

Júlio Barros, analista de desempenho da Videobserver

"No Brasil, o analista de desempenho ainda é visto como um editor de vídeos", aponta o especialista
Equipe Universidade do Futebol 
Comportamento já muito comum entre os profissionais dos clubes de futebol da Europa, estudar o adversário da próxima partida utilizando a tecnologia como principal ferramenta tem ganhado cada vez mais importância no futebol brasileiro.
No Velho Continente, a maioria das equipes está estruturada e já conta com grandes departamentos para a análise e desempenho. São equipados com ferramentas que auxiliam na captação de dados informativos tanto quantitativos quanto qualitativos das equipes e dos jogadores, auxiliando até nas futuras contratações.
Em contrapartida, no Brasil a análise de desempenho ainda é uma atividade recente, e ainda existe grande distanciamento entre as comissões técnicas e os analistas. Isto acontece porque, os demais profissionais de um clube desconhecem as reais funções de um analista de desempenho, que ainda é visto como um editor de vídeos, com muita teoria e pouca prática de campo e que traz informações desnecessárias, aponta Júlio Barros.
Licenciado pela Universidade Lusófona em Educação Física no ramo Treino Desportivo com Especialização em Futebol, cursando o mestrado em Treino Desportivo de Alto Rendimento, além de experiência como treinador nas categorias de base dos Belenenses e do Milan Scuola Calcio (academia AC Milan), Júlio Barros é atualmente analista de desempenho na empresa Videobserver.
Segundo ele, apesar de as equipes do país mais estruturadas (organizadas) estarem mais receptíveis aos analistas de desempenho, existindo uma maior abertura a novas informações, ainda há uma necessidade iminente de novas tecnologias que pede o futebol brasileiro.
“A rotatividade constante dos treinadores nas equipes do Brasil também prejudica a continuidade do trabalho feito pelos analistas de desempenho, porque existe uma quebra no processo, para além da falta de confiança que os novos treinadores poderão demonstrar relativamente aos elementos que fazem parte do quadro do clube”, completa.
Nesta entrevista exclusiva à Universidade do Futebol, Júlio Barros ainda falou sobre como a análise de desempenho pode ser utilizada no processo de treino e de que maneira os softwares podem ajudar na construção de uma central de dados de um clube. Confira:

Universidade do Futebol – A análise de desempenho muitas vezes possui um viés mais acadêmico e tem sido um grande campo de trabalho para profissionais formados em cursos superiores que não conseguem acessar os cargos de treinadores. No seu modo de entender esta afirmação é verdadeira? Se sim, qual a evolução que pode acontecer na aproximação entre acadêmicos e ex-jogadores que atuam nas funções de campo?
Júlio Barros – Está afirmação não pode ser assumida como verdadeira. Para cada área de atuação, o profissional, para executar bem a sua profissão, deve possuir habilidades que o definam com tal. Para ser um treinador de futebol, não basta apenas conhecer o jogo de futebol e saber elaborar exercício de treino.
O trabalho do treinador é muito mais abrangente do que isto, existem características especificas para a execução da profissão. Dá mesma forma, para ser um analista de desempenho, o profissional deve possuir características e formação específicas para tal. Entenda, que um analista não é só um editor de vídeos, também é uma profissão muito mais abrangente.
Existem caminhos diferentes que vão chegar ao mesmo lugar. A aproximação deve ocorrer de forma natural, independente da sua natureza (formação), devemos perceber que todos têm capacidade para trabalhar no futebol. Em minha opinião, tanto os acadêmicos quanto os ex-jogadores de futebol, possuem capacidades para desempenhar as funções de analista de desempenho, treinador ou dirigente, dependendo da sua habilidade pessoal para executar determinada tarefa.
Por exemplo, José Mourinho, que é licenciado em Educação Física, iniciou a sua carreira como analista de desempenho e hoje é considerado um dos melhores treinadores do mundo. Da mesma forma, na comissão técnica da seleção brasileira na Copa do Mundo, o ex-jogador Roque Júnior está desempenhando a função de observador das equipes adversárias.
No Brasil, análise de desempenho é uma atividade recente, e ainda existe um certo distanciamento entre as comissões técnicas e analistas. Isto acontece porque, para alguns profissionais, o analista de desempenho é visto como um editor de vídeos, que tem muita teoria e pouca prática de campo, como uma ameaça, que traz informações desnecessárias, diz Júlio Barros

Universidade do Futebol – Como a análise de desempenho pode ser utilizada no processo de treino?
Júlio Barros – Como diria Jorge Castelo, o modelo de treino é um suporte ao modelo de jogo. Partindo deste princípio, a análise de desempenho tem o papel de encontrar padrões no jogo, sejam positivos ou negativos, que vão servir de referência ao método de treino da equipe.
Através das informações recolhidas no jogo, o treinador pode criar exercícios que vão potenciar ou corrigir as prestações individuais e ou coletivas. Ou seja, deve haver um ciclo que acompanhe a evolução pretendida.
Para uma boa estruturação e organização, deve haver uma ligação permanente entre a forma de jogar e a forma de treinar, sendo de supraimportância, o papel desempenhado pelo analista de desempenho na observação e análise quer do treino, quer do jogo.
Sou da opinião que o analista de desempenho não deve só conhecer o jogo, deve também conhecer métodos de treino e participar ativamente na concepção dos exercícios da equipe para acompanhar a evolução pretendida.
Os clubes que utilizam a análise do jogo como preparação estão um passo à frente dos que não utilizam, e quanto maior for a preparação mais passos à frente estarão. Por quê? Porque conhecerão mais profundamente a sua equipe e o adversário, e assim, poderão trabalhar na antecipação devido ao conhecimento científico prévio facilitando a conceitualização de estratégias para a abordagem do jogo, aponta. 
veja mais...
http://universidadedofutebol.com.br/Entrevista/10952/Julio-Barros-analista-de-desempenho-da-Videobserver

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