sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Altos Salários ! Técnicos Brasileiros Cada Vez Recebem Mais !

Abel pode se juntar a seleto grupo de treinadores que recebem acima de R$ 700 mil. Outros dois já comandaram gigantes europeus.
Na semana da partida entre Fluminense e Palmeiras, que valia o título brasileiro ao Tricolor, um rumor percorreu os corredores das Laranjeiras. O Internacional, após decepcionante temporada, preparava oferta de R$ 900 mil ao técnico Abel Braga, campeão mundial com o Colorado em 2006. Nesta quinta-feira, o presidente do Inter, Giovanni Luigi descartou a possibilidade de contratar o treinador.

Porém, algumas perguntas ainda pairam no ar. Por que salários tão astronômicos aos nossos treinadores? Será que os clubes, após investimentos tão altos, não deveriam mantê-los por mais tempo? E, por último, por que os nossos comandantes não conseguem sucesso e renome semelhantes na Europa, a maneira que fazem os jogadores brasileiros?

Mercado inflacionado

A possível proposta a Abel é só mais um exemplo do alto valor pago aos treinadores no Brasil. Segundo levantamento, realizado em março deste ano, pelo site português Futebol Finance, Luiz Felipe Scolari ocupava a 11ª colocação no ranking de treinadores mais bem remunerados no mundo com salário anual de 3,6 milhões de euros o que daria, em valores atuais, R$ 780 mil mensais.

Na lista, com os 30 maiores salários, aliás, estavam outros cinco técnicos brasileiros. Além de Mano Menezes, na 29ª posição, apareciam Muricy Ramalho, Abel Braga, Dorival Júnior, nos tempos de Internacional e Tite.

O treinador campeão da Copa Libertadores da América, pelo Corinthians, por sinal, é o que detinha o mais baixo soldo entre os comandantes de clubes. Empatado na 27ª posição com Dorival, o gaúcho tinha salário estimado em R$ 400 mil. A sua frente, Abel recebeu R$ 455 mil e Muricy, que neste ano venceu apenas o Campeonato Paulista, R$ 566 mil.

Curioso perceber também a ausência do nome de Vanderlei Luxemburgo. No comando do Flamengo no início de 2012, especula-se que o pentacampeão brasileiro tivesse rendimentos na casa dos R$ 700 mil. Ao trocar o time da Gávea pelo Grêmio, em fevereiro, Luxa aceitou redução salarial e ganha atualmente R$ 450 mil. Discutindo renovação e após garantir a presença do Imortal na próxima Libertadores, é provável que Vanderlei exija aumento.

Continuidade ameaçada

Os nomes de Felipão e Luxemburgo levam a algumas outras respostas sobre o tema. O primeiro diz respeito à continuidade dos treinadores brasileiros a frente das equipes que dirigem. Os gordos rendimentos de ambos não foi empecilho para que as diretorias de Palmeiras e Flamengo, respectivamente, os demitissem ao primeiro sinal de queda de rendimento.

Campeão da Copa do Brasil deste ano, Felipão parecia estar retornando de vez aos áureos tempos que vivera no próprio Verdão e no Grêmio. Contudo, as seguidas lesões dos principais jogadores abalaram demais o já combalido elenco palmeirense que passou a fazer fraquíssima campanha no Campeonato Brasileiro. Muito crítico a qualidade de seus comandados, Scolari desgastou-se com os jogadores e recebeu o cartão azul da diretoria em meados de setembro. Para se desfazer do técnico, o Palmeiras ainda teve que desembolsar R$ 1 milhão, valor que poderia ter sido mais bem investido.

O caso de Luxemburgo é um pouco diferente. Contratado em 2010 para evitar o rebaixamento rubro-negro, Vanderlei levou o Flamengo a Libertadores de 2012. Antes de a temporada atual começar, entretanto, o técnico atritou-se com o astro do time, Ronaldinho Gaúcho e, como a corda arrebenta sempre para o lado mais fraco, Luxa encerrou sua terceira passagem pelo clube logo após passar pelo Real Potosí, na pré-Libertadores. Meses depois, era o R10 quem deixava a Gávea, cobrando R$ 40 milhões, que atualmente estão sendo negociados.

Sem sucesso na Europa

Além das quedas este ano, Felipão e Luxemburgo também têm em comum casos de decepção no futebol europeu. Ambos os treinadores não duraram sequer um ano no comando de dois gigantes do Velho Mundo.

Considerado o maior conhecedor do sistema de pontos corridos do país quando da implantação da fórmula de disputa no Campeonato Brasileiro, Luxemburgo viveu o melhor momento de sua carreira em 2003 e 2004. No primeiro ano, o treinador foi responsável pela conquista da Tríplice Coroa pelo Cruzeiro de Alex. No Nacional, inclusive, o time mineiro somou 100 pontos, sagrando-se campeão com duas rodadas de antecedência. Em 2004, Vanderlei trocou Belo Horizonte pela Baixada Santista e, comandando Robinho e Diego, repetiu a vitória no Brasileiro, sua quinta conquista, recorde histórico à época. 

As duas temporadas gabaritaram Luxa para um vôo mais alto. Dias após o título com o Santos, caía como uma bomba a notícia da contratação de Vanderlei pelo Real Madrid dos galácticos Zidane, Beckham e Ronaldo. Os tempos na capital espanhola, porém, não foram nada felizes. Apesar do aproveitamento próximo a 70%, o técnico esteve longe de conquistar títulos e foi mandado embora 11 meses após chegar ao clube.

Com Felipão, a história foi quase a mesma. Após mais de cinco anos como treinador da Seleção de Portugal, onde conquistou o vice-campeonato da Eurocopa 2004 e o quarto lugar da Copa do Mundo de 2006, Scolari chegou ao Chelsea em 1º de julho de 2008. Controlado pelo bilionário russo Roman Abramovich, o ex-primo pobre de Londres contava com estrelas do porte de Frank Lampard e Didier Drogba em seu plantel.

Com números tão bons quanto Luxemburgo, o pentacampeão não tinha boas relações com alguns jogadores e, a sete pontos do Manchester United, líder do Campeonato Inglês, acabou demitido antes do término da temporada.

Hermanos mais bem-sucedidos

Sem passagens por clubes brasileiros, Zico é, ao lado de Ricardo Gomes, em seus tempos de Bordeaux, um dos treinadores brasileiros de maior sucesso na Europa. Comandante da Seleção japonesa no Mundial de 2006, o Galinho foi para o Fenerbahce, da Turquia, no ano seguinte. Durante a Liga dos Campeões 2007-2008, o ex-jogador, com Alex e Deivid no time, conduziu a equipe de Istambul às quartas-de-final do torneio, melhor colocação da História do clube.

Campeão turco, Zico deixou o Fener para o Bunyodkor onde venceu o Campeonato Uzbeque, honraria a qual Felipão também teve direito um ano antes. Após passagens rápidas e vitoriosas por CSKA Moscou e, em menor medida, Olympiacos, o eterno camisa 10 do Flamengo tenta atualmente classificar o Iraque para Copa do Mundo de 2014.

Se a realidade é dura para os treinadores brasileiros na Europa, o quadro para argentinos e demais sul-americanos é bem mais tranquilo. Somente na atual temporada, três hermanos - Marcelo Bielsa, Diego Simeone e Mauricio Pochettino – comandam equipes no Campeonato Espanhol. Além dos três, o chileno Manuel Pellegrini está à frente do Málaga.

Os quatro já alcançaram grandes feitos na terra de Cervantes. Pochettino é o quarto treinador com mais jogos no comando do Espanyol. Bielsa, treinador da Argentina de 1998 a 2004, conseguiu levar o Athletic Bilbao às finais da Copa do Rei e da Liga Europa na última temporada.

O título deste último campeonato, aliás, lhe escapou devido ao outro argentino da lista. Com um impiedoso 3 a 0, o Atlético Madrid de Simeone, comandado e amigo de Bielsa nos tempos de Seleção, bateu o Bilbao com dois gols de Falcao García e um do brasileiro Diego. Com a conquista, o ex-jogador tornou-se o primeiro latino-americano a vencer a Liga Europa (antiga Copa da UEFA).

Chileno de Santiago, Pellegrini iniciou sua carreira na Espanha em 2004. Nos cinco anos seguintes, vestiu as cores do Villarreal, clube que levou até as semifinais da Liga dos Campeões 2005-2006. Após passagem frustrante pelo Real Madrid, Pellegrini assumiu o Málaga em 2010. Ajudado pelos petrodólares de um xeque árabe que assumiu o clube há dois anos, o treinador classificou a equipe para uma inédita participação na Liga dos Campeões, onde atualmente o time ocupa a primeira posição em sua chave.

Os segredos do sucesso de nossos vizinhos ainda estão para ser descoberto. Talvez, no caso da Espanha, seja a facilidade com a língua, ou o problema dos treinadores nacionais seja a velha e boa saudade do feijão com arroz. Porém, há uma certeza. Estrelas, com salários de galã de novela, a gente bronzeada das áreas técnicas Brasil afora ainda está muito longe de provar seu valor em terras estrangeiras.

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