O que os passes de Pulisic e Matheus Henrique falam sobre o jogo atual
15/08/2019 18h00
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foto: Lucas Uebel/Grêmio/Divulgação
Na jogada do primeiro gol do Grêmio contra o Athletico, Jean Pyerre ganha uma bola no alto e Matheus Henrique, o primeiro volante do 4-2-3-1 gremista, aparece de surpresa para pegar a sobra. Ele conduz, em alta velocidade, e olhando sempre para frente até passar para Éverton cruzar na medida para André cabecear para o gol.
Gol do Grêmio! Everton cruza, e André desvia de cabeça para marcar aos 23 do 1º tempo
Algumas horas antes, no primeiro gol do empate de 2 a 2 no Supercopa Europeia, vencida pelo Liverpool nos pênaltis, Christian Pulisic faz praticamente o mesmo movimento de Matheus. Chega de surpresa após uma dividida ganha por Kanté, conduz por alguns segundos e, mesmo cercado por muitos defensores, dá um passe milimétrico para Giroud chutar cruzado.
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foto: Lucas Uebel/Grêmio/Divulgação
Na jogada do primeiro gol do Grêmio contra o Athletico, Jean Pyerre ganha uma bola no alto e Matheus Henrique, o primeiro volante do 4-2-3-1 gremista, aparece de surpresa para pegar a sobra. Ele conduz, em alta velocidade, e olhando sempre para frente até passar para Éverton cruzar na medida para André cabecear para o gol.
Gol do Grêmio! Everton cruza, e André desvia de cabeça para marcar aos 23 do 1º tempo
Algumas horas antes, no primeiro gol do empate de 2 a 2 no Supercopa Europeia, vencida pelo Liverpool nos pênaltis, Christian Pulisic faz praticamente o mesmo movimento de Matheus. Chega de surpresa após uma dividida ganha por Kanté, conduz por alguns segundos e, mesmo cercado por muitos defensores, dá um passe milimétrico para Giroud chutar cruzado.
Primeiro gol do Chelsea contra o Liverpool — Foto: Reprodução/YouTube
Se você olhar atentamente, verá que Matheus Henrique e Pulisic estão com a cabeça virada para frente, calculando os movimentos do adversário ao mesmo tempo que dão tempo para o companheiro se colocar na frente da linha da bola e receber o passe. Eles correm e pensam ao mesmo tempo.
Criar jogadas correndo é uma necessidade do futebol atual. A evolução do jogo é basicamente a diminuição dos espaços e do tempo que um jogador tem para jogar. Basta ver qualquer jogo antigo no YouTube para observar como jogadores tinham mais espaço, mais tempo e menos marcação para passar e lançar. Por isso os vídeos antigos são mais lentos, e o jogo, cheio de lançamentos. Um exemplo é a jogada do gol de Carlos Alberto Torres. Clodoaldo, o primeiro volante, recebe e fica sete segundos com a bola sem sofrer nenhuma tentativa de interceptação ou roubada de bola.
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Clodoaldo na Copa de 1970 — Foto: Leonardo Miranda
Pulisic tem um total de cinco segundos e, além de avançar num terreno maior de campo, muda de direção várias vezes e é cercado de seis - isso mesmo, seis jogadores do Liverpool. É uma combinação de técnica e velocidade, algo que acontece a toda rodada do Campeonato Inglês ou na Liga dos Campeões, como o avanço de Henderson para a conclusão de Origi no primeiro gol da virada no Barcelona. Hoje, quem chega de trás, gira e sabe ler o jogo e o companheiro melhor colocado consegue ter mais tempo para jogar.
No Manchester City, David Silva e Kevin de Bruyne sempre foram meias cerebrais, "camisas 10" à antiga com outros treinadores. Com Guardiola, quase sempre jogam na mesma faixa de campo de Pulisic e Matheus Henrique e começaram a articular com mais velocidade, como explica Xavi, em entrevista ao El Pais: "De Bruyne e Silva se adaptaram ao meio-campo porque são dessa classe de jogadores que sabem colocar-se em 360 graus, giram para os dois lados e enxergam todo o campo".
O mapa de calor do último jogo, a goleada de 5 a 0 no West Ham, comprova. Há uma imensidão de linhas azuis, que representam os passes, no campo de defesa. É lá Rodrigo, Walker, Laporte e Zinchenko ficam tocando passes curtos, esperando a brecha perfeita. Quando a bola invade o campo do rival, a ideia é agilizar o máximo o jogo. Há mais linhas vermelhas, que simbolizam os passes errados, saindo da intermediária para o ataque. E as linhas ficam maiores, simbolizando passes mais verticais. O gol anulado de Sterling é um exemplo: foram apenas quatro toques na bola. Todos em direção ao gol.
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Mapa de passes do Manchester City — Foto: Leonardo Miranda
Por isso o jogador que pensa correndo consegue resolver dois problemas: avança mais terreno, deixando adversários para trás, e consegue fazer com que o time tenha mais jogadores na frente da linha da bola, como Éverton ou Giroud no lance dos gols. Por isso a ideia de que um meia deva recuar para buscar o jogo e "dar qualidade na saída de bola", como muito se pede no Brasil, muitas vezes deixa o jogo mais lento.
Vários jogadores considerados mais defensivos aprimoram a armação das jogadas por essa necessidade de pensar o jogo cada vez mais de trás. Kanté, do Chelsea, é um exemplo.Ele vem aprimorando a técnica e a visão de jogo, como o passe pré-assistência na Supercopa comprova. Filipe Luís, hoje no Flamengo, é outro que faz a mesma coisa, mas numa posição diferente. Ele é líder em passes "pré-assistência" no Atlético de Madrid, qualidade que fez Tite posicioná-lo quase como um meio campista na Copa América. No primeiro gol do Flamengo contra o Grêmio, é dele que nasce a bola que clareia tudo.

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