Com intensidade de videogame, Flamengo encara desafio de suportar o insano calendário brasileiro
Contra o Emelec, Flamengo atacou tanto nos primeiros 30 minutos contra o Emelec que Jorge Jesus comparou com jogo no Playstation. Como dosar esse volume na insana sequência de agosto?
01/08/2019 13h02
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foto: REUTERS/Ricardo Moraes
O Flamengo conseguiu vencer o Emelec e levar o jogo para os pênaltis graças a um grande primeiro tempo. Foram jogadas rápidas diretas, com atacantes recebendo a bola o tempo todo. Três pontos ajudam a entender esse jogo parecido com o PES no videogame:
A intensidade. No futebol, intensidade é a agilidade de ações, sejam elas coletivas ou individuais. Dizemos que um time é mais intenso quando ele faz tudo mais rápido, com uma taxa de acerto muito maior que o normal. O Flamengo conseguiu abafar o Emelec, que fez duas linhas de quatro, colocando a bola no campo de ataque e avançando de forma muito rápida. Se não tivesse intensidade, apareceriam alguns contra-ataques e Bruno Henrique não teriam tantas chances de gol. A intensidade é física, porque precisa de um ritmo intenso de movimentos, e também mental, porque precisa de decisões rápidas e pensamentos coletivos.
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Linha de defesa avançava e recuava muito rapidamente — Foto: Leonardo Miranda
O jogo pelos lados. Jorge Jesus parece ter encontrado uma equipe vertical e direta que abusa do jogo pelos lados. A bola pouco passa pelo centro, o que reforça a escolha de Arão. A ideia é ter “dobradinhas” pelos flancos: Renê e Gérson de um lado, Éverton e Rafinha do outro. Com o time avançado, como na imagem, a bola chega ao lado e rapidamente é feita uma triangulação, com a aproximação de Gabigol e Bruno Henrique. Ontem os jogadores com mais passes para finalização atuaram pelos lados: Renê (4) e Gérson (2).
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Flamengo desenhado para atacar: muita gente na área e dobradinhas pelos lados — Foto: Leonardo Miranda
A mobilidade de Gabigol e Bruno Henrique. É impressionante como os dois já vinham bem e cresceram com o Mister. Gabigol e Bruno Henrique são móveis e rápidos, e sempre buscam o setor da bola e oferecem opções de passe nas costas da defesa adversária. Isso torna o jogo rápido, porque eles sempre estão avançados e possibilitam que os laterais ou meias passem a bola toda hora. Essa movimentação torna o jogo do Fla extremamente direto, porque sempre há finalizadores à frente da linha da bola. Isso ajuda a explicar porque, em trinta minutos, o Fla finalizou oito vezes ao gol do Emelec e fez dois gols, além de uma grande chance perdida por Gabigol.
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Gabigol e Bruno Henrique se movimentam para longe da linha defensiva — Foto: Leonardo Miranda
Mas o segundo tempo foi muito diferente. O Flamengo não controlou o jogo e viu o Emelec construir oito finalizações - uma no gol do Diego Alves. E se fosse um adversário com mais qualidade? E se os gols não viessem? Imprimir esse ritmo significa grandes chances de construir um placar favorável, mas também um imenso risco.
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Jorge Jesus explicou que é impossível manter o ritmo por 90 minutos. Jogar de forma tão automática e rápida assim gera um cansaço grande, tanto mental como físico. Além disso, os zagueiros Thuller e Pablo Marí precisaram avançar para que o time jogasse no campo de ataque. Isso significa que eles precisaram cobrir um espaço de 60 metros quase todo o tempo, indo e voltando, correndo e interceptando. O mesmo com Cuellar. Esse PES da vida real só acontece mesmo no videogame, onde a barrinha de cansaço nem sempre altera o desempenho do boneco operado no controle.
“É impossível uma equipe jogar como o Flamengo fez por 45 minutos, quando o Emelec não fez um arremate. Foram 70% de posse de bola, como que você quer que uma equipe seja, no Brasil, China ou Europa, como o Flamengo foi por 105 metros pressionando o portador da bola e chegue na segunda parte com a mesma intensidade? Sabe onde isso acontece? No PlayStation.”
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jorge jesus flamengo emelec — Foto: André Durão / GloboEsporte.com
O desafio do Mister é saber dosar a intensidade. O Flamengo faz jogos intensos, diretos, e vem cansando no segundo tempo. Foi assim contra o Botafogo e lá no Equador, e também contra o Corinthians, mas sem tanto domínio. Há ainda um motivo que dificulta essa dosagem: o calendário brasileiro é diferente do europeu. Com menos tempo, a prioridade é sempre recuperar fisicamente jogadores e não continuar o processo de treinos para aperfeiçoar a equipe. Jesus entendeu isso e pontuou: a prioridade vai ser a questão física.
“Não temos tempo para trabalhar muito as ideias, só recuperamos, estamos jogando de três em três dias. Mas há outros meio de nos identificarmos com a equipe. Nestes jogos que tivemos, foram jogos complicados, tivemos uma derrota e uma eliminação por pênaltis.”
Em Agosto, o Flamengo terá ao menos duas semanas cheias no intervalo entre o Brasileirão e a Copa do Brasil. Na segunda metade do mês, mais uma maratona: encara um clássico contra o Vasco, depois o primeiro jogo das quartas contra o Inter, depois viaja até Fortaleza para pegar o Ceará, volta a jogar contra o Inter e recebe um time tão intenso quanto, o Palmeiras.
A classificação veio, sofrida do jeito que a torcida sabe que sempre é. Mas controlar um pouco o ritmo para preservar jogadores é o desafio de Jorge Jesus no insano calendário brasileiro.
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Jornalista, formado em análise de desempenho pela CBF e especialista em tática e estudo do futebol
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