Diretor do Detran na Bahia esclarece a adoção de placas do Mercosul


Em entrevista concedida à rádio Metrópole FM em Salvador, na manhã desta sexta-feira (4), o diretor do Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran-BA), Lúcio Gomes, afirmou que o modelo atual de placas favorecia a falsificação dos itens. “Com o modelo da placa cinza, você chega em qualquer esquina e manda produzir uma placa. Com essa falta de controle, o número de clonagem de veículos cresceu assustadoramente”, contou o diretor. Gomes, afirmou que a adoção das placas de carro no padrão Mercosul vai reduzir o número de roubos a veículos no estado. A novidade, inclusive, deve diminuir o valor dos seguros de carros. Gomes também falou do preço da nova placa padrão Mercosul. “O preço para trocar, no Detran, é de R$7, fora o serviço. A fixação do preço da placa ainda está sendo discutido, mas é algo em torno de R$ 215 reais, aproximadamente”, detalhou. A novidade, inclusive, deve diminuir o valor dos seguros de carros.
O coordenador da 7ª Ciretran, Adenilson Rosa dos Santos “Grande”, disse que ainda existem algumas dúvidas e pendências a serem solucionadas. Ele disse que ainda não tem empresas confeccionando essas placas em Jequié, mas o sistema já está atualizando. Vagner Amparo que coordena o setor de placas, revelou que nenhum dos fabricantes estaria habilitado no município e região. O órgão segundo eles já está preparo para orientar essas pessoas. O documento já é emitido com a nova placa, mas o material ainda não está disponível.
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RETROSPECTIVA 2018: o refinamento das defesas, o pivô e o poder das transições no jogo atual

O ano foi marcado pela dificuldade das grandes seleções na Copa do Mundo, a intensidade do Liverpool e o uso de jogadas de pivô como Palmeiras e Atlético de Madrid.

Por Leonardo Miranda
28/12/2018 03h29
RETROSPECTIVA 2018: o refinamento das defesas, o pivô e o poder das transições no jogo atual
FONTE: Infoesporte 
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O escritor George Orwell disse que a história é escrita pelos vencedores. É natural a narrativa ser dos protagonistas, como é da França campeã da Copa do Mundo, do Real Madrid que dominou o mundo pela terceira vez consecutiva, do Palmeiras campeão numa reação fantástica ou até do constrangimento de Boca e River na Libertadores. Mas eles não são os únicos a entrar para a eternidade. Assim como a sociedade, o futebol é um grande vai-e-vém de ideias. Ciclos que se repetem, tendências que renascem, rupturas, progressos e avanços. Um constante processo evolutivo que não se resume apenas ao que os vencedores dizem.
Se houve uma escrita hegemônica em 2018, essa foi a defesa. A lógica é simples: proteger a própria área com muitos jogadores próximo ao gol, no que se chama de bloco baixo, é a forma mais eficaz de não levar gols. Do City de Guardiola ao Ceará de Lisca, defender brecou talentos e fez desaperecer o desnível técnico entre times e seleções. Nunca os grandes sofreram tanto na Copa ou times como Bayern, Real e PSG precisaram de jogadas individuais na Liga dos Campeões. O Irã de Carlos Queiróz chocou o mundo com o calor em Portugal e Espanha: um 4-1-4-1 que se desmancha para fechar o "funil": linha de 4 bem próxima, os pontas junto aos alas, matando a chamada amplitude, e 4 jogadores no meio alternando pressão no portador da bola.
Irã na Copa do Mundo — Foto: Leonardo Miranda
Irã na Copa do Mundo — FOTO -  Leonardo Miranda 
Há vários motivos para explicar essa hegemonia. Ao ampliar o acesso ao conhecimento, a internet permitiu que seleções e times menores melhorassem o preparo tático e técnico. O Whatsapp virou instrumento que o jogador tem para entender como o adversário joga e como explorar suas fraquezas. O preparo físico permite que o jogador resista a ações de alta intensidade por mais tempo. Cenário ideal para o futebol beber de outras fontes e defender como o handebol: fechando a área, usando pivô e importando a ideia de superioridade numérica, quando jogadores navegam para o lado da bola para pegar o oponente sempre com mais gente, tirando-lhe o espaço da jogada. Sinta a brutal semelhança desenhada na imagem abaixo:
Semelhança entre basquete e handebol — Foto: Leonardo Miranda
Semelhança entre basquete e handebol — Foto Leonardo Miranda 
Não apenas na Copa. O sucesso de Atlético de Madrid na Liga da Europa e os campeonatos que o Corinthians de Carille e o Botafogo de Alberto Valentim no primeiro semestre, com defesas bem próximas desse conceito, é uma prova: defender bem é muito eficaz. Não é uma questão do futebol se tornar mais ou menos defensivo ou de ter ou não a bola. Também não é a morte do "modelo Barcelona" ou da posse de bola. É a evolução batendo à porta, o que já aconteceu com o basquete e o futsal.
Atlético de Madrid na Liga Europa: impossível de quebrar — Foto: Leonardo Miranda
Atlético de Madrid na Liga Europa: impossível de quebrar — Foto: Leonardo Miranda
A grande questão que fica é: como buscar alternativas? Como fazer gols num cenário onde adversários parecem cada vez mais prontos para combatê-los? O que 2018 mostra é que há pelo menos três tendências táticas que respondem essa pergunta:
  1. Diminuir o papel do meio-campo e do passe na construção das jogadas por ligações diretas e pivôs como ferramenta de quebrar defesas, como a França de Deschamps, o Palmeiras de Felipão e o Bayern de Heynckes fizeram;
  2. Buscar um jogo posicionado no meio para que a bola chegue em pontas fixos e abertos e insistir nas jogadas de linha de fundo, como o Brasil de Tite, o Flamengo de Barbieri e o City de Guardiola fizeram;
  3. Apostar num modelo reativo: fecha a defesa, força física no meio para pressionar muito a bola e usar o momento da transição como ataque, como o Liverpool de Klopp, o Cruzeiro de Mano Menezes e Tottenham de Pochettino fizeram
  4. Você pode espernear, detestar ou achar muito feio. Mas jogar a bola pro centroavante dar a casquinha nunca foi tão eficiente. O pivô é o jogador que se coloca de costas e retém a bola à espera dos companheiros. Esse movimento ganhou força no ano porque quebra a lógica das defesas de handebol e coloca a bola numa disputa individual entre centroavante e zagueiro. Como as defesas atuam pela lógica da superioridade, um pivô forte atrai dois ou mais zagueiros para a marcação do centroavante, que ao se deslocar, abre espaço para a chegada dos meias. Diego Costa, Giroud, Ábila, Deyverson, Harry Kane, Jael, Pratto....foram muitos os pivôs em destaque no ano.
    Um exemplo prático vem de Giroud, cuja importância tática foi fundamental à França. No golaço de Pogba contra a Austrália, ele recebe a bola de Mbappé de costas, e apenas com o corpo, atrai o zagueiro, que se desloca e abre o espaço pontilhado em vermelho. Tudo o que Pogba precisava para explodir naquela região e finalizar a gol. Se há algo que 2018 deixa, é o mito de que camisa 9 vive de gols. Ele pode ser centroavante tático, fazer função e ajudar o time. Porque o futebol sempre foi e sempre será um esporte coletivo.
  5. Pivô de Giroud no gol de Pogba contra a Austrália — Foto: Leonardo Miranda
  6. Pivô de Giroud no gol de Pogba contra a Austrália — Foto: Leonardo Miranda
  7. Outra prova da importância dos pivôs foi a bola parada: coqueluche da Copa do Mundo, muitos dos gols foram feitos com o auxílio de um centroavante puxando a zaga ou dando a assistência. Dos 179 gols na Copa do Mundo, 42% foram oriundos de lances com a bola parada - recorde na história do futebol. Mais um número que consolida a dificuldade de criar espaços por meios mais tradicionais e estéticos como o passe, seja ele curto como o da Espanha em 2010 ou do Brasil de 1994, ou em projeção e lançamentos, como os do Brasil em 1982 e 1970. Não há talento que jogue sem espaço.
  8. Uma outra forma de lidar com as defesas fechadas foi o uso de um jogo baseado em pontas e cruzamentos na área. Algo que Pep Guardiola entendeu bem no Manchester City, irresistível campeão inglês no primeiro semestre. O 4-3-3 se desmanchava em um 3-2-5 no ataque. Quase um antigo WM, com dois pontas muito "puros", Sané e Sterling. Eles ficavam ficavam fixos prontos para receber a bola, driblar e fazer um passe rasteiro para a área. O jogo de extremas também foi importante no Bayern de Jupp Heynckes, no Monaco de Leonardo Jardim e no Napoli de Sarri, equipes que se destacaram pela organização para levar a bola o mais rápido possível à área.
  9. City de Guardiola com os pontas bem abertos — Foto: Leonardo Miranda
  10. City de Guardiola com os pontas bem abertos — Foto: Leonardo Miranda
  11. Nos últimos anos, se debate se a escola holandesa - para simplificar, a tal da posse de bola - ainda é válida. O sucesso do Barcelona de Guardiola foi mais que tático: foi estético e filosófico. Por isso, tudo o que vem do Barça ou dele segue sendo motivo de polêmica (todas vazias). Ter a "posse de bola" continua sendo eficaz. O que muda é a velocidade e a forma com a qual a bola é finalizada. Tite usou conceitos assim, ao usar mão dessa ideia de pontas fixos no segundo tempo do Brasil contra a Costa Rica. Barbieri e Dorival implantaram ideia parecida no Flamengo vice-campeão brasileiro, mais adaptado ao contexto de liberdade posicional no Brasil.
  12. Se o adversário se fecha com mais qualidade, faltam espaços para atacar. Em qual momento essa lógica se quebra? Quando você está sendo atacado! 2018 foi um ano de contra-ataques furiosos e inteligentes. A lógica do Liverpool, assim como do Tottenham, da Roma, River Plate e Boca Juniors era marcar para atacar: chama o adversário e faz ele preencher a área rival com muitos jogadores. Depois, pressiona intensamente, e ao recuperar a bola, sai com velocidade para aproveitar os espaços deixados ali. De novo, a influência de outro esporte. Dessa vez do "run and gun" do Phoenix Suns de Mike D’Antoni e Steve Nash, entre 2004 e 2007. Um time de contra-ataque rápido e muitos jogadores passando da linha da bola para fazer a cesta. Evolução que ganhou títulos no Golden State Warriorsdo fantástico Stephen Curry, um criador de espaços tal como Messi: move a bola com constância, triangula e ataca rápido.
  13. Pressão do Liverpool na Roma — Foto: Leonardo Miranda
  14. Pressão do Liverpool na Roma — Foto: Leonardo Miranda
  15. O Liverpool usou os espaços de forma inteligente e com absurda intensidade. Talvez a equipe mais moderna do ano, mostrou também que aquele papo de compactação e defender com 11 não é um dogma. Muitas vezes, Salah e Firmino não participavam de ações defensivas para receber a bola mais à frente nos momentos de contra-ataque. Assim corriam menos e conseguiam se colocar na frente dos zagueiros. Veja como é curiosa a evolução do futebol: se há 4 anos pipocavam aquelas imagens da Alemanha toda compacta, defendendo com 11, hoje a moda é defender com 7. A própria Alemanha caiu na teia do México, que fez a mesma coisa que o Liverpool na Copa.
  16. Liverpool defendendo com 8 contra o City — Foto: Leonardo Miranda
  17. Liverpool defendendo com 8 contra o City — Foto: Leonardo Miranda
  18. Outro exemplo prático está na doída derrota do Brasil na Copa do Mundo. Quem imaginaria a Bélgica com Fellaini de titular e um 4-3-3 com De Bruyne de falso-nove? A lógica era a mesma: fechar o meio e deixar Lukaku e Hazard nas costas dos laterais brasileiros. No escanteio, o balanço defensivo com o grandalhão centroavante longe da área, algo incomum a todos. Numa só jogada, todas as tendências de 2018: pivô do centroavante, Fernandinho no chão, contra-ataque rápido com inversão de lados e gol de De Bruyne. Tudo decidido nos mínimos detalhes.
  19. Escanteio do Brasil contra a Bélgica — Foto: Leonardo Miranda
  20. Escanteio do Brasil contra a Bélgica — Foto: Leonardo Miranda
  21. Se o futebol se volta para a velocidade e a intensidade e vê uma sobreposição muito grande das defesas ao ataque, com tendências fortes para criar espaços e gols, onde mora o futuro? Qual time é capaz de quebrar essa lógica? A resposta pode estar com Mauricio Pochettino e seu Tottenham que a cada dia encanta mais. Nesse semestre, a base é um 4-3-1-2 com apenas Dier como jogador mais físico no meio. Delle-Ali, Erickssen, Kane e Son (ou Lucas) são quase segundos atacantes, jogando em toques curtos e próximos da área. Os laterais podem apoiar do jeito europeu, abertos, ou do jeito sul-americano, um de cada vez. A equipe sempre avança, busca roubar a bola na frente e sabe ser posicional ou veloz no contra-ataque.
    Um time que responde o refinamento das defesas usando tabelas rápidas e pivôs, mas também um jogo mais cadenciado e posicional. Quebra a bola na frente ou aposta no passe. Se o funil está cada vez mais fechado, o futuro do futebol parece estar no centro do campo, com cada vez mais jogadores concentrados lá. Algo que a Inglaterra de Southgate fez na Copa, com sucesso.
    O Tottenham não ganha nada há anos, assim como o Liverpool. A Bélgica parou na França. A Croácia encantou, mas se parece demais com o poderio financeiro do Real Madrid para entregar algo ao jogo. Vencedores ou não, em2018 a história foi escrita por todos. Porque o que há de mais apaixonante no futebol é sua contante e initerrupta evolução, que talha nossas certezas e abre o olho para um futuro que começa agora.
    2018 PELO BLOG
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  22. https://globoesporte.globo.com/blogs/painel-tatico/post/2018/12/28/retrospectiva-2018-o-refinamento-das-defesas-o-pivo-e-o-poder-das-transicoes-no-jogo-atual.ghtml
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Continua a preparação do Jequié para o Campeonato Baiano



Faltando pouco mais de 15 dias para estrear no Campeonato Baiano, a ADJ (Associação Desportiva Jequié) segue sua preparação durante toda semana buscando aprimorar todos os fundamentos. Na tarde desta quinta-feira (03) o técnico Carlos Rabelo comandou mais um treino no estádio Waldomiro Borges.
Em campo reduzido Rabelo realizou um mini coletivo com ênfase em dois toques rápidos. O jovem meio campista jequieense Lucas vem buscando seu espaço e agradando a comissão técnica, o que lhe credencia a assinar nos próximos dias seu contrato com o Jequié.
No próximo domingo 06/01 o time realiza um jogo amistoso contra a seleção de Maracás fora de casa. Fora de campo a diretoria continua fazendo algumas pesquisas de peças para reforçar o elenco antes mesmo da estreia .
Um dos jogadores que PODE pintar na cidade é o meia Marcelinho, que foi dispensado da Juazeirense. A direção da ADJ não confirma a negociação, mas fontes próximas ao jogador confirmaram a sondagem do Jequié após o desligamento do atleta com o time da Juazeirense.
Certo é que o vice presidente Camilo Barbosa tem feito várias buscas no mercado para reforçar o elenco.
Equipe Bola de Ouro

https://solaresportes.webnode.com/l/jequie-continua-se-preparando-para-o-campeonato-baiano/
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Com presença de novo reforço, elenco do Vitória finaliza avaliações físicas

Autor(a): Redação Galáticos Online (Twitter - @galaticosonline) em 03 de Janeiro de 2019 19:20
Foto: Maurícia da Matta / ECVitória 
Os atletas do Vitória finalizaram nesta quinta-feira (3) as avaliações físicas e o novo reforço do Leão, Andrigo, esteve presente no Barradão para iniciar a sua trajetória no Rubro-Negro.
Enquanto os jogadores remanescentes de 2018 ficaram com o fisiologista Valter Abrantes, Thales e Andrigo realizaram os exames médicos com o doutor José Olímpio e posteriormente seguiram no processo de avaliação com os demais atletas.
A comissão técnica se reuniu para planejar as atividades da pré-temporada que iniciou na última quarta-feira (2), mas os trabalhos com bola começam nesta sexta (4), em dois turnos.
https://www.galaticosonline.com/noticia/03/01/2019/82568,com-presenca-de-novo-reforco-elenco-do-vitoria-finaliza-avaliacoes-fisicas.html

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90 anos de Rubens Minelli, um dos grandes revolucionários do futebol brasileiro

Tetracampeão brasileiro, Minelli foi o primeiro a trazer as ideias da Holanda de 1974 ao Brasil e mudou treinamentos táticos e físicos no país

Por Leonardo Miranda
20/12/2018 18h44
90 anos de Rubens Minelli, um dos grandes revolucionários do futebol brasileiro
foto: Leonardo Miranda
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Se você fizer uma lista dos técnicos mais influentes na história do futebol brasileiro, o nome de Rubens Minelli precisa estar entre os cinco primeiros. Primeiro tri-campeão brasileiro consecutivo, ele completou 90 anos no último dia 19. Mas suas ideias são eternas: Minelli é considerado o primeiro técnico “tático” do nosso futebol, pioneiro ao trazer as ideias do Carrossel Holandês em 1974 e também o foco na força e velocidade no jogo.
"O Minelli foi o treinador que começou a mudar a parte tática e física do futebol, o esquema de treinos. Foi o melhor que eu vi no trabalho". - Muricy Ramanho
Primeiro é preciso entender o contexto do futebol brasileiro na década de 1960. A Copa de 1966 foi um divisor de águas e apresentou diversas inovações táticas. A Inglaterra surpreendeu ao ocupar o meio-campo e atacar com base na projeção dos volantes para a área, e não por jogadas laterais, pelos pontas. Além disso, foi uma das primeiras a mostrar a vantagem de se pressionar a bola. “Foi o primeiro time que mostrou que era preciso jogar e não deixar jogar”, cita Parreira.
Minelli foi um dos primeiros a entender a necessidade de ocupação de espaços. Chamado pelo Palmeiras em 1969 para um processo de reformulação, ele buscou jovens como Leão, Eurico e Zeca e montou um 4-3-3 com uma novidade: o recuo de Pio como um típico “falso-ponta”, para preencher o meio e fechar espaços. No ataque, Ademir articulava e lançava e Jaime e Cesar chegavam na área. Time de imposição e força que deslanchou frente a Cruzeiro, Corinthians e Botafogo.
Palmeiras 1969 — Foto: Leonardo Miranda
Palmeiras 1969 Foto: Leonardo Miranda
Foi no Internacional que ele se consagrou. Chamado por José Asmuz para impor disciplina à equipe deixada por Dino Sani, Minelli promove uma das maiores revoluções táticas do futebol brasileiro: um 1-3-1-2-3. Sem a bola, Marinho Peres, que tinha atuado assim no Barcelona, ficava na sobra. Figueroa saía para caçar no meio-campo e Cláudio e Vacaria ficavam com os pontas adversários, com a proteção de Caçapava. Ou seja: o adversário não ficava livre.
Internacional 1979 — Foto: Leonardo Miranda
Internacional 1979 — Foto: Leonardo Miranda 
Mas a sacada mesmo era na fase ofensiva, com a bola. É o que Minelli chama da “inversão do triângulo”, como explicou a Mauro Beting no UOL: “Quando todos os times atacavam, chegavam com dois meias. Um deles era marcado pelo único volante das equipes, e o outro era perseguido pelo quarto zagueiro. Nós fazíamos diferente: quando o Inter tinha a bola, a base do nosso triângulo ficava voltada pro goleiro, e o ápice no ataque, com o Falcão, que eu adiantei mais. Os nossos dois volantes marcavam os dois meias dos rivais que sempre vinham, e sobrava o Falcão.”
Apoio de Falcão no gol conta o Galo, em 1976 — Foto: Leonardo Miranda
Apoio de Falcão no gol conta o Galo, em 1976 — Foto: Leonardo Miranda
Adiantar Falcão é uma daquelas sacadas geniais que acontecem uma vez em uma década. O Inter ganhava um homem surpresa com a bola e também roubava mais bolas no ataque, com um volante pressionando o articulador rival. O Inter subia as linhas e criava superioridade numérica o tempo todo. Num gol antológico, um zagueiro do Ceará sai com a bola e vê três colorados em cima dele. Em outro, a eterna tabelinha de cabeça com Falcão adiantando, como elemento surpresa. Na saída, Figueroa adiantava e funcionava como um Busquets ou como os zagueiros da Alemanha hoje.
Saída do Inter em 76 — Foto: Leonardo Miranda
Saída do Inter em 76 — Foto: Leonardo Miranda
Em 1977, Minelli é chamado pelo São Paulo e mostra outra faceta: a de estrategista. A ideia de inverter o triângulo foi salientada com Chicão e Teodoro, dois volantes com uma função específica: marcar os meias adversários do 4-3-3. Dario Pereyra articulava o jogo para os pontas Muricy Ramalho, Neca ou Zé Sérgio. Na final, outra novidade: o estudo do adversário. O técnico grava jogos do Atlético-MG num aparelho vídeo-cassete e repensa o time: Viana pela esquerda, para segurar a bola e atrair Toninho Cerezo. Assim, o time avançava e cortava a construção das jogadas no 0 a 0 que levou para os pênaltis.
São Paulo 1977 — Foto: Leonardo Miranda
São Paulo 1977 — Foto: Leonardo Miranda 
O impacto de três títulos consecutivos e diversas ações que deram certo mudou o futebol brasileiro. Poucos times jogaram tão bem no mundo como o Inter em 1975 e 76. Poucos jogos foram tão decididos na estratégia como a final de 1977. Minelli não foi para a Seleção em 1978 e ficou três anos na Arábia Saudita, mas seu impacto mudou para sempre o futebol. A partir do fim da década de 1970, a maioria dos times começaram a jogar sem pontas fixos, como Pio ou Viana.
Na volta ao Brasil, em 1982, Minelli encontrou um tipo de jogo diferente, voltando ao meio-campo e com zagueiros mais técnicos, o que quebrava a estratégia de marcar por pressão. O Palmeiras de 1982 a 83 tinha como base o forte jogo reativo de Baltazar e Capitão e as bolas paradas de Jorginho. Fez boa campanha na Taça Ouro e no Paulista, apostou na estratégia: Márcio Alcântara foi uma espécie de terceiro zagueiro, marcando individualmente o falso-nove Sócrates na semifinal. Não foi páreo para o espetacular corintiano no auge: "Carlos Alberto foi marcar o volante e o Márcio Alcântara jogou na mesma linha do Luís Pereira. Sobrou um espaço muito grande e o Corinthians pôde tocar a bola", declarou o técnico à Placar.
Palmeiras x Corinthians em 1983 — Foto: Leonardo Miranda
Palmeiras x Corinthians em 1983 — Foto: Leonardo Miranda
A paciência para trabalhos de reconstrução em meio ao amadorismo das gestões, uma constante na história, prejudicou o técnico. Foram 27 jogos no Atlético-MG, traumatizado após a "geração de ouro" não ganhar o Brasileiro. Mais 8 meses no Corinthians de 1986, cujo bom trabalho terminou por conta de um 3 a 0 para o Palmeiras. No Santos, em 1992, foram incríveis 6 jogos e uma demissão por perder do Goiás.
Minelli também perdeu o tato com um novo tipo de jogador que nascia a partir da década de 1980: o rápido. Equipes como o São Paulo de 86 e o Sport de 87 tinham como base o contra-ataque e um jogo mais de chegada e não de pressão e rápida reação como o Inter e o Palmeiras de Minelli. Porque assim como política, o futebol vive sob a lógica da teoria da ferradura: o que dá certo um ano é neutralizado no outro, e renasce no outro. O mais próximo de um time oitentista foi o Grêmio m campeão estadual em 1985. Um 4-4-2 com o falso-ponta Valdo na esquerda ou na direita, na ausência de Renato Gaúcho. E o saudoso Caio Júnior como 12º jogador e artilheiro do campeonato: artilheiro de velocidade e drible.
Grêmio 1985 — Foto: Leonardo Miranda
Grêmio 1985 — Foto: Leonardo Miranda
Minelli ainda seria o primeiro técnico do Paraná e ocuparia vários cargos de dirigente. Mas permanece como revolucionário e influenciador de gente como Luiz Felipe Scolari, Muricy Ramalho e Cuca. Por isso, merece uma reflexão: por que não tem livros ou é lembrado como um dos maiores técnicos da história do nosso futebol?
Rubens Minelli e Candinho dão palestra para a Seleção — Foto: Rafael Ribeiro / CBF
Rubens Minelli e Candinho dão palestra para a Seleção — Foto: Rafael Ribeiro / CBF
Talvez seja por essa cultura chata que vê o futebol com cobrança excessiva e saudosismo inerte. Como lembraremos dos feitos de Tite, Mano Menezes ou Cuca daqui há 50 anos? Porque torcemos o nariz para Felipão, maior vencedor da história do país? Por que não exaltar esses feitos no mais difícil e complexo esporte de todos? Já passou da hora de reconhecer Rubens Minelli como um dos maiores da história.
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Capim, do Águia Clube | Eneas Brito, da Liga Desportiva de Jequié - Falando de Esportes - 29/04/26