RETROSPECTIVA 2018: o refinamento das defesas, o pivô e o poder das transições no jogo atual

O ano foi marcado pela dificuldade das grandes seleções na Copa do Mundo, a intensidade do Liverpool e o uso de jogadas de pivô como Palmeiras e Atlético de Madrid.

Por Leonardo Miranda
28/12/2018 03h29
RETROSPECTIVA 2018: o refinamento das defesas, o pivô e o poder das transições no jogo atual
FONTE: Infoesporte 
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O escritor George Orwell disse que a história é escrita pelos vencedores. É natural a narrativa ser dos protagonistas, como é da França campeã da Copa do Mundo, do Real Madrid que dominou o mundo pela terceira vez consecutiva, do Palmeiras campeão numa reação fantástica ou até do constrangimento de Boca e River na Libertadores. Mas eles não são os únicos a entrar para a eternidade. Assim como a sociedade, o futebol é um grande vai-e-vém de ideias. Ciclos que se repetem, tendências que renascem, rupturas, progressos e avanços. Um constante processo evolutivo que não se resume apenas ao que os vencedores dizem.
Se houve uma escrita hegemônica em 2018, essa foi a defesa. A lógica é simples: proteger a própria área com muitos jogadores próximo ao gol, no que se chama de bloco baixo, é a forma mais eficaz de não levar gols. Do City de Guardiola ao Ceará de Lisca, defender brecou talentos e fez desaperecer o desnível técnico entre times e seleções. Nunca os grandes sofreram tanto na Copa ou times como Bayern, Real e PSG precisaram de jogadas individuais na Liga dos Campeões. O Irã de Carlos Queiróz chocou o mundo com o calor em Portugal e Espanha: um 4-1-4-1 que se desmancha para fechar o "funil": linha de 4 bem próxima, os pontas junto aos alas, matando a chamada amplitude, e 4 jogadores no meio alternando pressão no portador da bola.
Irã na Copa do Mundo — Foto: Leonardo Miranda
Irã na Copa do Mundo — FOTO -  Leonardo Miranda 
Há vários motivos para explicar essa hegemonia. Ao ampliar o acesso ao conhecimento, a internet permitiu que seleções e times menores melhorassem o preparo tático e técnico. O Whatsapp virou instrumento que o jogador tem para entender como o adversário joga e como explorar suas fraquezas. O preparo físico permite que o jogador resista a ações de alta intensidade por mais tempo. Cenário ideal para o futebol beber de outras fontes e defender como o handebol: fechando a área, usando pivô e importando a ideia de superioridade numérica, quando jogadores navegam para o lado da bola para pegar o oponente sempre com mais gente, tirando-lhe o espaço da jogada. Sinta a brutal semelhança desenhada na imagem abaixo:
Semelhança entre basquete e handebol — Foto: Leonardo Miranda
Semelhança entre basquete e handebol — Foto Leonardo Miranda 
Não apenas na Copa. O sucesso de Atlético de Madrid na Liga da Europa e os campeonatos que o Corinthians de Carille e o Botafogo de Alberto Valentim no primeiro semestre, com defesas bem próximas desse conceito, é uma prova: defender bem é muito eficaz. Não é uma questão do futebol se tornar mais ou menos defensivo ou de ter ou não a bola. Também não é a morte do "modelo Barcelona" ou da posse de bola. É a evolução batendo à porta, o que já aconteceu com o basquete e o futsal.
Atlético de Madrid na Liga Europa: impossível de quebrar — Foto: Leonardo Miranda
Atlético de Madrid na Liga Europa: impossível de quebrar — Foto: Leonardo Miranda
A grande questão que fica é: como buscar alternativas? Como fazer gols num cenário onde adversários parecem cada vez mais prontos para combatê-los? O que 2018 mostra é que há pelo menos três tendências táticas que respondem essa pergunta:
  1. Diminuir o papel do meio-campo e do passe na construção das jogadas por ligações diretas e pivôs como ferramenta de quebrar defesas, como a França de Deschamps, o Palmeiras de Felipão e o Bayern de Heynckes fizeram;
  2. Buscar um jogo posicionado no meio para que a bola chegue em pontas fixos e abertos e insistir nas jogadas de linha de fundo, como o Brasil de Tite, o Flamengo de Barbieri e o City de Guardiola fizeram;
  3. Apostar num modelo reativo: fecha a defesa, força física no meio para pressionar muito a bola e usar o momento da transição como ataque, como o Liverpool de Klopp, o Cruzeiro de Mano Menezes e Tottenham de Pochettino fizeram
  4. Você pode espernear, detestar ou achar muito feio. Mas jogar a bola pro centroavante dar a casquinha nunca foi tão eficiente. O pivô é o jogador que se coloca de costas e retém a bola à espera dos companheiros. Esse movimento ganhou força no ano porque quebra a lógica das defesas de handebol e coloca a bola numa disputa individual entre centroavante e zagueiro. Como as defesas atuam pela lógica da superioridade, um pivô forte atrai dois ou mais zagueiros para a marcação do centroavante, que ao se deslocar, abre espaço para a chegada dos meias. Diego Costa, Giroud, Ábila, Deyverson, Harry Kane, Jael, Pratto....foram muitos os pivôs em destaque no ano.
    Um exemplo prático vem de Giroud, cuja importância tática foi fundamental à França. No golaço de Pogba contra a Austrália, ele recebe a bola de Mbappé de costas, e apenas com o corpo, atrai o zagueiro, que se desloca e abre o espaço pontilhado em vermelho. Tudo o que Pogba precisava para explodir naquela região e finalizar a gol. Se há algo que 2018 deixa, é o mito de que camisa 9 vive de gols. Ele pode ser centroavante tático, fazer função e ajudar o time. Porque o futebol sempre foi e sempre será um esporte coletivo.
  5. Pivô de Giroud no gol de Pogba contra a Austrália — Foto: Leonardo Miranda
  6. Pivô de Giroud no gol de Pogba contra a Austrália — Foto: Leonardo Miranda
  7. Outra prova da importância dos pivôs foi a bola parada: coqueluche da Copa do Mundo, muitos dos gols foram feitos com o auxílio de um centroavante puxando a zaga ou dando a assistência. Dos 179 gols na Copa do Mundo, 42% foram oriundos de lances com a bola parada - recorde na história do futebol. Mais um número que consolida a dificuldade de criar espaços por meios mais tradicionais e estéticos como o passe, seja ele curto como o da Espanha em 2010 ou do Brasil de 1994, ou em projeção e lançamentos, como os do Brasil em 1982 e 1970. Não há talento que jogue sem espaço.
  8. Uma outra forma de lidar com as defesas fechadas foi o uso de um jogo baseado em pontas e cruzamentos na área. Algo que Pep Guardiola entendeu bem no Manchester City, irresistível campeão inglês no primeiro semestre. O 4-3-3 se desmanchava em um 3-2-5 no ataque. Quase um antigo WM, com dois pontas muito "puros", Sané e Sterling. Eles ficavam ficavam fixos prontos para receber a bola, driblar e fazer um passe rasteiro para a área. O jogo de extremas também foi importante no Bayern de Jupp Heynckes, no Monaco de Leonardo Jardim e no Napoli de Sarri, equipes que se destacaram pela organização para levar a bola o mais rápido possível à área.
  9. City de Guardiola com os pontas bem abertos — Foto: Leonardo Miranda
  10. City de Guardiola com os pontas bem abertos — Foto: Leonardo Miranda
  11. Nos últimos anos, se debate se a escola holandesa - para simplificar, a tal da posse de bola - ainda é válida. O sucesso do Barcelona de Guardiola foi mais que tático: foi estético e filosófico. Por isso, tudo o que vem do Barça ou dele segue sendo motivo de polêmica (todas vazias). Ter a "posse de bola" continua sendo eficaz. O que muda é a velocidade e a forma com a qual a bola é finalizada. Tite usou conceitos assim, ao usar mão dessa ideia de pontas fixos no segundo tempo do Brasil contra a Costa Rica. Barbieri e Dorival implantaram ideia parecida no Flamengo vice-campeão brasileiro, mais adaptado ao contexto de liberdade posicional no Brasil.
  12. Se o adversário se fecha com mais qualidade, faltam espaços para atacar. Em qual momento essa lógica se quebra? Quando você está sendo atacado! 2018 foi um ano de contra-ataques furiosos e inteligentes. A lógica do Liverpool, assim como do Tottenham, da Roma, River Plate e Boca Juniors era marcar para atacar: chama o adversário e faz ele preencher a área rival com muitos jogadores. Depois, pressiona intensamente, e ao recuperar a bola, sai com velocidade para aproveitar os espaços deixados ali. De novo, a influência de outro esporte. Dessa vez do "run and gun" do Phoenix Suns de Mike D’Antoni e Steve Nash, entre 2004 e 2007. Um time de contra-ataque rápido e muitos jogadores passando da linha da bola para fazer a cesta. Evolução que ganhou títulos no Golden State Warriorsdo fantástico Stephen Curry, um criador de espaços tal como Messi: move a bola com constância, triangula e ataca rápido.
  13. Pressão do Liverpool na Roma — Foto: Leonardo Miranda
  14. Pressão do Liverpool na Roma — Foto: Leonardo Miranda
  15. O Liverpool usou os espaços de forma inteligente e com absurda intensidade. Talvez a equipe mais moderna do ano, mostrou também que aquele papo de compactação e defender com 11 não é um dogma. Muitas vezes, Salah e Firmino não participavam de ações defensivas para receber a bola mais à frente nos momentos de contra-ataque. Assim corriam menos e conseguiam se colocar na frente dos zagueiros. Veja como é curiosa a evolução do futebol: se há 4 anos pipocavam aquelas imagens da Alemanha toda compacta, defendendo com 11, hoje a moda é defender com 7. A própria Alemanha caiu na teia do México, que fez a mesma coisa que o Liverpool na Copa.
  16. Liverpool defendendo com 8 contra o City — Foto: Leonardo Miranda
  17. Liverpool defendendo com 8 contra o City — Foto: Leonardo Miranda
  18. Outro exemplo prático está na doída derrota do Brasil na Copa do Mundo. Quem imaginaria a Bélgica com Fellaini de titular e um 4-3-3 com De Bruyne de falso-nove? A lógica era a mesma: fechar o meio e deixar Lukaku e Hazard nas costas dos laterais brasileiros. No escanteio, o balanço defensivo com o grandalhão centroavante longe da área, algo incomum a todos. Numa só jogada, todas as tendências de 2018: pivô do centroavante, Fernandinho no chão, contra-ataque rápido com inversão de lados e gol de De Bruyne. Tudo decidido nos mínimos detalhes.
  19. Escanteio do Brasil contra a Bélgica — Foto: Leonardo Miranda
  20. Escanteio do Brasil contra a Bélgica — Foto: Leonardo Miranda
  21. Se o futebol se volta para a velocidade e a intensidade e vê uma sobreposição muito grande das defesas ao ataque, com tendências fortes para criar espaços e gols, onde mora o futuro? Qual time é capaz de quebrar essa lógica? A resposta pode estar com Mauricio Pochettino e seu Tottenham que a cada dia encanta mais. Nesse semestre, a base é um 4-3-1-2 com apenas Dier como jogador mais físico no meio. Delle-Ali, Erickssen, Kane e Son (ou Lucas) são quase segundos atacantes, jogando em toques curtos e próximos da área. Os laterais podem apoiar do jeito europeu, abertos, ou do jeito sul-americano, um de cada vez. A equipe sempre avança, busca roubar a bola na frente e sabe ser posicional ou veloz no contra-ataque.
    Um time que responde o refinamento das defesas usando tabelas rápidas e pivôs, mas também um jogo mais cadenciado e posicional. Quebra a bola na frente ou aposta no passe. Se o funil está cada vez mais fechado, o futuro do futebol parece estar no centro do campo, com cada vez mais jogadores concentrados lá. Algo que a Inglaterra de Southgate fez na Copa, com sucesso.
    O Tottenham não ganha nada há anos, assim como o Liverpool. A Bélgica parou na França. A Croácia encantou, mas se parece demais com o poderio financeiro do Real Madrid para entregar algo ao jogo. Vencedores ou não, em2018 a história foi escrita por todos. Porque o que há de mais apaixonante no futebol é sua contante e initerrupta evolução, que talha nossas certezas e abre o olho para um futuro que começa agora.
    2018 PELO BLOG
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Continua a preparação do Jequié para o Campeonato Baiano



Faltando pouco mais de 15 dias para estrear no Campeonato Baiano, a ADJ (Associação Desportiva Jequié) segue sua preparação durante toda semana buscando aprimorar todos os fundamentos. Na tarde desta quinta-feira (03) o técnico Carlos Rabelo comandou mais um treino no estádio Waldomiro Borges.
Em campo reduzido Rabelo realizou um mini coletivo com ênfase em dois toques rápidos. O jovem meio campista jequieense Lucas vem buscando seu espaço e agradando a comissão técnica, o que lhe credencia a assinar nos próximos dias seu contrato com o Jequié.
No próximo domingo 06/01 o time realiza um jogo amistoso contra a seleção de Maracás fora de casa. Fora de campo a diretoria continua fazendo algumas pesquisas de peças para reforçar o elenco antes mesmo da estreia .
Um dos jogadores que PODE pintar na cidade é o meia Marcelinho, que foi dispensado da Juazeirense. A direção da ADJ não confirma a negociação, mas fontes próximas ao jogador confirmaram a sondagem do Jequié após o desligamento do atleta com o time da Juazeirense.
Certo é que o vice presidente Camilo Barbosa tem feito várias buscas no mercado para reforçar o elenco.
Equipe Bola de Ouro

https://solaresportes.webnode.com/l/jequie-continua-se-preparando-para-o-campeonato-baiano/
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Com presença de novo reforço, elenco do Vitória finaliza avaliações físicas

Autor(a): Redação Galáticos Online (Twitter - @galaticosonline) em 03 de Janeiro de 2019 19:20
Foto: Maurícia da Matta / ECVitória 
Os atletas do Vitória finalizaram nesta quinta-feira (3) as avaliações físicas e o novo reforço do Leão, Andrigo, esteve presente no Barradão para iniciar a sua trajetória no Rubro-Negro.
Enquanto os jogadores remanescentes de 2018 ficaram com o fisiologista Valter Abrantes, Thales e Andrigo realizaram os exames médicos com o doutor José Olímpio e posteriormente seguiram no processo de avaliação com os demais atletas.
A comissão técnica se reuniu para planejar as atividades da pré-temporada que iniciou na última quarta-feira (2), mas os trabalhos com bola começam nesta sexta (4), em dois turnos.
https://www.galaticosonline.com/noticia/03/01/2019/82568,com-presenca-de-novo-reforco-elenco-do-vitoria-finaliza-avaliacoes-fisicas.html

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90 anos de Rubens Minelli, um dos grandes revolucionários do futebol brasileiro

Tetracampeão brasileiro, Minelli foi o primeiro a trazer as ideias da Holanda de 1974 ao Brasil e mudou treinamentos táticos e físicos no país

Por Leonardo Miranda
20/12/2018 18h44
90 anos de Rubens Minelli, um dos grandes revolucionários do futebol brasileiro
foto: Leonardo Miranda
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Se você fizer uma lista dos técnicos mais influentes na história do futebol brasileiro, o nome de Rubens Minelli precisa estar entre os cinco primeiros. Primeiro tri-campeão brasileiro consecutivo, ele completou 90 anos no último dia 19. Mas suas ideias são eternas: Minelli é considerado o primeiro técnico “tático” do nosso futebol, pioneiro ao trazer as ideias do Carrossel Holandês em 1974 e também o foco na força e velocidade no jogo.
"O Minelli foi o treinador que começou a mudar a parte tática e física do futebol, o esquema de treinos. Foi o melhor que eu vi no trabalho". - Muricy Ramanho
Primeiro é preciso entender o contexto do futebol brasileiro na década de 1960. A Copa de 1966 foi um divisor de águas e apresentou diversas inovações táticas. A Inglaterra surpreendeu ao ocupar o meio-campo e atacar com base na projeção dos volantes para a área, e não por jogadas laterais, pelos pontas. Além disso, foi uma das primeiras a mostrar a vantagem de se pressionar a bola. “Foi o primeiro time que mostrou que era preciso jogar e não deixar jogar”, cita Parreira.
Minelli foi um dos primeiros a entender a necessidade de ocupação de espaços. Chamado pelo Palmeiras em 1969 para um processo de reformulação, ele buscou jovens como Leão, Eurico e Zeca e montou um 4-3-3 com uma novidade: o recuo de Pio como um típico “falso-ponta”, para preencher o meio e fechar espaços. No ataque, Ademir articulava e lançava e Jaime e Cesar chegavam na área. Time de imposição e força que deslanchou frente a Cruzeiro, Corinthians e Botafogo.
Palmeiras 1969 — Foto: Leonardo Miranda
Palmeiras 1969 Foto: Leonardo Miranda
Foi no Internacional que ele se consagrou. Chamado por José Asmuz para impor disciplina à equipe deixada por Dino Sani, Minelli promove uma das maiores revoluções táticas do futebol brasileiro: um 1-3-1-2-3. Sem a bola, Marinho Peres, que tinha atuado assim no Barcelona, ficava na sobra. Figueroa saía para caçar no meio-campo e Cláudio e Vacaria ficavam com os pontas adversários, com a proteção de Caçapava. Ou seja: o adversário não ficava livre.
Internacional 1979 — Foto: Leonardo Miranda
Internacional 1979 — Foto: Leonardo Miranda 
Mas a sacada mesmo era na fase ofensiva, com a bola. É o que Minelli chama da “inversão do triângulo”, como explicou a Mauro Beting no UOL: “Quando todos os times atacavam, chegavam com dois meias. Um deles era marcado pelo único volante das equipes, e o outro era perseguido pelo quarto zagueiro. Nós fazíamos diferente: quando o Inter tinha a bola, a base do nosso triângulo ficava voltada pro goleiro, e o ápice no ataque, com o Falcão, que eu adiantei mais. Os nossos dois volantes marcavam os dois meias dos rivais que sempre vinham, e sobrava o Falcão.”
Apoio de Falcão no gol conta o Galo, em 1976 — Foto: Leonardo Miranda
Apoio de Falcão no gol conta o Galo, em 1976 — Foto: Leonardo Miranda
Adiantar Falcão é uma daquelas sacadas geniais que acontecem uma vez em uma década. O Inter ganhava um homem surpresa com a bola e também roubava mais bolas no ataque, com um volante pressionando o articulador rival. O Inter subia as linhas e criava superioridade numérica o tempo todo. Num gol antológico, um zagueiro do Ceará sai com a bola e vê três colorados em cima dele. Em outro, a eterna tabelinha de cabeça com Falcão adiantando, como elemento surpresa. Na saída, Figueroa adiantava e funcionava como um Busquets ou como os zagueiros da Alemanha hoje.
Saída do Inter em 76 — Foto: Leonardo Miranda
Saída do Inter em 76 — Foto: Leonardo Miranda
Em 1977, Minelli é chamado pelo São Paulo e mostra outra faceta: a de estrategista. A ideia de inverter o triângulo foi salientada com Chicão e Teodoro, dois volantes com uma função específica: marcar os meias adversários do 4-3-3. Dario Pereyra articulava o jogo para os pontas Muricy Ramalho, Neca ou Zé Sérgio. Na final, outra novidade: o estudo do adversário. O técnico grava jogos do Atlético-MG num aparelho vídeo-cassete e repensa o time: Viana pela esquerda, para segurar a bola e atrair Toninho Cerezo. Assim, o time avançava e cortava a construção das jogadas no 0 a 0 que levou para os pênaltis.
São Paulo 1977 — Foto: Leonardo Miranda
São Paulo 1977 — Foto: Leonardo Miranda 
O impacto de três títulos consecutivos e diversas ações que deram certo mudou o futebol brasileiro. Poucos times jogaram tão bem no mundo como o Inter em 1975 e 76. Poucos jogos foram tão decididos na estratégia como a final de 1977. Minelli não foi para a Seleção em 1978 e ficou três anos na Arábia Saudita, mas seu impacto mudou para sempre o futebol. A partir do fim da década de 1970, a maioria dos times começaram a jogar sem pontas fixos, como Pio ou Viana.
Na volta ao Brasil, em 1982, Minelli encontrou um tipo de jogo diferente, voltando ao meio-campo e com zagueiros mais técnicos, o que quebrava a estratégia de marcar por pressão. O Palmeiras de 1982 a 83 tinha como base o forte jogo reativo de Baltazar e Capitão e as bolas paradas de Jorginho. Fez boa campanha na Taça Ouro e no Paulista, apostou na estratégia: Márcio Alcântara foi uma espécie de terceiro zagueiro, marcando individualmente o falso-nove Sócrates na semifinal. Não foi páreo para o espetacular corintiano no auge: "Carlos Alberto foi marcar o volante e o Márcio Alcântara jogou na mesma linha do Luís Pereira. Sobrou um espaço muito grande e o Corinthians pôde tocar a bola", declarou o técnico à Placar.
Palmeiras x Corinthians em 1983 — Foto: Leonardo Miranda
Palmeiras x Corinthians em 1983 — Foto: Leonardo Miranda
A paciência para trabalhos de reconstrução em meio ao amadorismo das gestões, uma constante na história, prejudicou o técnico. Foram 27 jogos no Atlético-MG, traumatizado após a "geração de ouro" não ganhar o Brasileiro. Mais 8 meses no Corinthians de 1986, cujo bom trabalho terminou por conta de um 3 a 0 para o Palmeiras. No Santos, em 1992, foram incríveis 6 jogos e uma demissão por perder do Goiás.
Minelli também perdeu o tato com um novo tipo de jogador que nascia a partir da década de 1980: o rápido. Equipes como o São Paulo de 86 e o Sport de 87 tinham como base o contra-ataque e um jogo mais de chegada e não de pressão e rápida reação como o Inter e o Palmeiras de Minelli. Porque assim como política, o futebol vive sob a lógica da teoria da ferradura: o que dá certo um ano é neutralizado no outro, e renasce no outro. O mais próximo de um time oitentista foi o Grêmio m campeão estadual em 1985. Um 4-4-2 com o falso-ponta Valdo na esquerda ou na direita, na ausência de Renato Gaúcho. E o saudoso Caio Júnior como 12º jogador e artilheiro do campeonato: artilheiro de velocidade e drible.
Grêmio 1985 — Foto: Leonardo Miranda
Grêmio 1985 — Foto: Leonardo Miranda
Minelli ainda seria o primeiro técnico do Paraná e ocuparia vários cargos de dirigente. Mas permanece como revolucionário e influenciador de gente como Luiz Felipe Scolari, Muricy Ramalho e Cuca. Por isso, merece uma reflexão: por que não tem livros ou é lembrado como um dos maiores técnicos da história do nosso futebol?
Rubens Minelli e Candinho dão palestra para a Seleção — Foto: Rafael Ribeiro / CBF
Rubens Minelli e Candinho dão palestra para a Seleção — Foto: Rafael Ribeiro / CBF
Talvez seja por essa cultura chata que vê o futebol com cobrança excessiva e saudosismo inerte. Como lembraremos dos feitos de Tite, Mano Menezes ou Cuca daqui há 50 anos? Porque torcemos o nariz para Felipão, maior vencedor da história do país? Por que não exaltar esses feitos no mais difícil e complexo esporte de todos? Já passou da hora de reconhecer Rubens Minelli como um dos maiores da história.
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Atlântico e Bahia vencem na estreia pela Copa São Paulo

Por Edmilson Ferreira - Comunicação FBF, 03 de Jan 2019 - 22h32
A 50ª Copa São Paulo de Futebol Júnior começou nesta quinta-feira (3) para os cinco clubes baianos. Foram dois resultados positivos conquistados por Atlântico e Bahia, enquanto Jacobina, Vitória e Vitória da Conquista sofreram derrotas em seus jogos de estreia.

No Grupo 10, a boa surpresa foi o triunfo do Atlântico sobre o América-MG, por 2 a 0, gols marcados por Matheus, de falta, e Ítalo. Com três pontos, o time de Lauro de Freitas lidera com a mesma pontuação do São Carlos, que bateu ao Criciúma por 2 a 1, e fica em segundo lugar pelo critério de saldo de gols (2 contra 1).

Um motivo de muita alegria para o presidente Zé Carlos Rodrigues, que junto com Erivaldo da Silva e Nilton Rodrigues, comanda o futebol do Atlântico Esporte Clube. A equipe que disputa a Copinha tem a maioria de jogadores de Salvador e é treinada por Jeferson Símas. “Vamos buscar mais uma vitória para ficarmos perto da classificação”, festejou Erivaldo.

No próximo sábado (5), às 7h45 (horário da Bahia), no Estádio Luiz Augusto de Oliveira, São Carlos e Atlântico se enfrentam e o vencedor fica numa situação muito boa para conquistar uma das duas vagas à segunda fase da Copinha. Criciúma e América-MG jogam às 10h no mesmo local.
De cabeça, Caíque marcou o primeiro gol para o Bahia

LIDERANÇA – O Bahia venceu o Boavista-RJ, por 3 a 1, e lidera o Grupo 12, com três pontos, beneficiado pelo empate entre Taquaritinga-SP e Guarani-SP por 1 a 1. Os gols do Esquadrão foram marcados por Caíque, Pablo e Douglas, descontando Luís Felipe para o Boavista.

No próximo sábado (5), às 10h (horário da Bahia), na cidade de Taquaritinga, o Bahia enfrenta o Guarani, novamente no Estádio Adail Nunes da Silva. Taquaritinga e Boavista fazem a preliminar às 7h45.

Pelo Grupo 29, em Diadema, o Jacobina foi goleado na estreia pelo Água Santa, por 4 a 1, gols de Lucas Carvalho (2), Lucas Porfírio e Richard. De pênalti, no final da partida, João Paulo fez o gol de honra do Jegue da Chapada, que no próximo domingo (6), às 12h45 (da Bahia), tenta a reabilitação na competição diante do Atlético-MG.

O Vitória da Conquista também largou mal no Grupo 4 e perdeu para o Vocem, por 2 a 0, gols de Ronald e Rafael Bahia, na cidade de Assis. No próximo domingo (6), às 15h (da Bahia), o Bodinho encara o Sport Recife-PE, lutando para conquistar os primeiros três pontos na competição em São Paulo.

E pelo Grupo 14, em um campo muito pesado por causa da chuva, na cidade de Santa Bárbara do Oeste, o Vitória foi derrotado pela Desportiva Ferroviária-ES, por 2 a 1, gols de Geovane e Iago. Welison sofreu pênalti cometido pelo goleiro Augusto e ele mesmo cobrou, descontando para o Rubro-Negro baiano.

No próximo domingo (6), às 15h, o Leão enfrenta o Novorizontino, que na estreia venceu o União Barbarense por 3 a 1. Na preliminar, às 12h45, jogam União Barbarense e Desportiva Ferroviária.

Destaque na primeira rodada da Copinha – que será encerrada nesta sexta-feira (4), com Portuguesa x Santo André e Paraná x Volta Redonda, pelo Grupo 32 – para quatro sonoras goleadas: Avaí 7x0 Inter de Limeira, Grêmio 7x0 São Raimundo-RR, São Paulo 7x2 Holanda e Goiás 5x0 São Bento.

* Matéria atualizada às 22h32

Fotos: Miltinho Marchetti e Reprodução da TV
http://www.fbf.org.br/noticias/5735,atlantico-e-bahia-vencem-na-estreia-pela-copa-sao-paulo.html
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Vitória do Bahia e derrota do Vitória na rodada do Brasileirão - FE - 02/04/26