Ver o futebol com mais maturidade e menos ódio: a luz na eliminação do Brasil

O Brasil sempre jogou ódio nos culpados pela derrota. Mas há algo de diferente em 2018: nosso olhar está mais adulto

Ver o futebol com mais maturidade e menos ódio: a luz na eliminação do Brasil
REUTERS/Sergio Perez
Por Leonardo Miranda
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Em sua história mais que vencedora no futebol, o Brasil sempre fez uso de um argumento fácil para lidar com suas agruras: a qualidade. Dispor de uma gama de talentos que brotam naturalmente nos clubes sempre fez enxergarmos a vitória e o favoritismo como sintomas naturais a cada Copa do Mundo. É como se o Brasil tivesse a obrigação de vencer apenas por ser melhor, no papel, que qualquer outra equipe.
O ideário da superioridade criou uma expectativa alta e irreal. Segundo pesquisa do Instituto Ipsos Mori, o Brasil é o segundo num ranking de quem mais apresentou uma percepção equivocada sobre sua sociedade. Quanto mais um tema é propagado pela mídia, mais alvo ele é de leituras falsas e argumentos que não encontram fatos. No futebol também é assim. O favoritismo gerado pelo paradigma da superioridade cria uma ideia de que um time nunca perde para um adversário, e sempre para si mesmo. Veja como a lógica na derrota é achar bodes expiatórios. Culpados. Decisões que talharam no campo o que o papel sempre mostrou: uma história pentacampeã.
O futebol de clubes do país é onde essa ideia mais está propagada. A justificativa para essa expectativa alta é a história, o elenco, o quanto se gastou com determinado jogador. Geralmente é o técnico, ou o jogador que erra um lance fatal. Se Fernandinho jogasse por algum clube, com certeza seu carro estaria sendo apedrejado por um aglomerado organizado, ou sua saída seria pedida de imediato. Há tantas outras ações para falar aqui, mas em todas existe um ponto em comum: o ódio a quem erroui.
O brasileiro sempre se pautou no caráter e não no desempenho para explicar seu tempo. E sempre o fez de forma raivosa. Existe um cumprimento de uma insegurança aí. Um ciclo vicioso: a paixão é tão grande que distorce a percepção do potencial de um time ou de um adversário. A expectativa é alta. Mas não sabemos como lidar quando ela não se cumpre. Tal como a criança que chora quando não ganha o que quer, também choramos, raivosos, pelo jogo perdido. No 7 a 1, passamos anos discutindo os fatores da derrota: Felipão, o atraso do futebol, a geração fraca ou Paulinho, que não merece envergar tal camisa.
marcelo thiago silva kazan brasil bélgica (Foto: REUTERS/Sergio Perez)
marcelo thiago silva kazan brasil bélgica (Foto: REUTERS/Sergio Perez)
Em 1974, Zagallo disse que o Brasil ia fazer um suco de laranja. Era uma alusão a Holanda, sem tradição alguma em Copas. A seleção perdeu de 2 a 0. A Holanda de 1974 é a Bélgica de 2018. A "ótima geração belga" foi caçoada há anos. "Não se preocupe com ela, Tite". Não passaria das quartas por ser um time inventado, fruto do videogame, sem ser raiz como era nutella.
Mas há algo de diferente nesta derrota.
Talvez pela primeira vez na história de uma Copa do Mundo, não se procuram culpados com a mesma energia que se enxerga a realidade. Basta ver como Tite tem seu cargo garantido, ou como Fernandinho e Jesus receberam apoio após um torneio ruim. A expectativa para o hexa era imensa, algo confirmado com o desempenho do Brasil no pré-Copa. O olhar começa a mudar.
Já não enxergamos mais vantagem em apontar culpados e trocá-los a cada derrota. Tampouco pedimos novos jogadores como se essa geração, tão vencedora em seus clubes, não tivesse amor a camisa. A passos largos e lentos, como qualquer mudança de paradigma no mundo, o brasileiro começa a entender que a realidade nunca foi a superioridade de qualidade que provocava um catarse ufanista, mas sim resultado de um processo. Há um começo, meio e fim em todo time de futbeol, e muitas vezes, a derrota é só o começo do que está por vir.
Esse olhar mais maduro e pés no chão não é a remodelação do torcedor em um ser racional - porque ele jamais será. O futebol sempre será lugar para explicações fantasiosas. Acontece que antes, a conversa de bar acontecia no mais alto escalão das decisões, e pautava o futuro de vidas inteiras. Hoje, conseguimos ver que dentro de campo, é preciso uma engrenagem racional e que foque no desempenho.
Torcida Brasil (Foto: Reuters )
Torcida Brasil (Foto: Reuters )
Poucas são as chances tão ricas de amadurecer como essa que se apresenta. Assim como sua imprensa e seus torcedores também tem. Porque ninguém jamais será de ferro para não sentir a dor de uma derrota. Mas ouvimos mais os treinadores. Discordamos menos dele, nutrimos menos ódio pelo jogador que falhou não porque lhe faltou caráter ou hombridade, mas sim porque seu desempenho foi afetado por tantas coisas que é impossível apontar o dedo e construir uma tese única.
Trata-se de um olhar mais humano. Mais adulto. Que diferente o que é do jogo e o que é fora dele. E que dá espaço para as mais ricas e divertidas percepções do bar ou do churrasco em família, sem que isso afete o que de fato está sendo feito. Aquele velho espírito de porco, que nutre um ódio secreto com a seleção para sua tese se validar está morrendo. Já não dizemos "eu disse" com tanta energia como foi no 7 a 1.
O próximo passo é levar essa maturidade para quando os olhos do mundo não estarem nos vigiando. Um duro exercício de crescimento e imaturidade de um futebol que sabe que existem muitas outras Copas do Mundo por vir.
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Estratégia, bola parada e detalhes: como a Bélgica eliminou o Brasil da Copa

Roberto Martínez surpreendeu. A Bélgica fez um primeiro tempo perfeito com seu camisa 7 livre, como um típico falso 9. A movimentação destruiu a defesa do Brasil.

Estratégia, bola parada e detalhes: como a Bélgica eliminou o Brasil da Copa
Reuters
Por Leonardo Miranda
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Assim que as escalação da FIFA saíram, muito se imaginava uma Bélgica mais comedida. Fellaini começaria jogando para preencher o meio e Chadli, mais veloz, viraria o ala. Os belgas sempre jogaram no sistema 5-2-3, com 3 centroavantes de muita mobilidade. De Bruyne, o craque do time, era segundo volante. Mas quando a bola rolou...
Pensar o jogo de forma estratégia significa surpreender o adversário. Toda equipe tem um ponto forte e um ponto fraco. O técnico sempre mira no ponto fraco de seu adversário e quebra a cabeça para explorar. O Brasil nesta Copa mostrou uma grande força defensiva - levara apenas um gol, de bola parada. Não contava com Casemiro, o principal "limpador" de jogadas no meio-campo, e tinha a volta de Marcelo e o forte lado esquerdo que triangulava e chegava ao gol. Como desenhar o mapa para explorar essa série de fatos no time brasileiro?
Martínez desenhou uma estratégia para explorar as costas de Marcelo e Fagner. Eles são rápidos e sabem fazer a linha de 4 na defesa. Mas e quando não há a cobertura e proteção de Casemiro? Havia aí uma chance. A bola parada também podia ser uma arma. O desenho começa a ficar completo. Veja abaixo como a vitória da Bélgica foi construída nos detalhes.

De Bruyne como falso 9: movimentação e velocidade

De Bruyne era o jogador mais avançado quando a Bélgica se defensiva. Quem fechava os lados eram Lukaku e Hazard, como na imagem. Chadli, conhecido como um jogador com características de ponta, foi um verdadeiro meio-campo. Sem a bola, no chamado momento defensivo, os belgas se alinhavam num 4-3-3 muito claro, como a imagem abaixo:
De Bruyne como centroavante na Bélgica (Foto: Leonardo Miranda)
De Bruyne como centroavante na Bélgica (Foto: Leonardo Miranda)
Esse posicionamento foi um baita elemento surpresa de Martínez em Tite. Se você olha a escalação, imagina Lukaku colado nos dois zagueiros. Afinal, ele é alto e forte. Tem porte de um centroavante. Mas o que se viu foi De Bruyne naquela região. Só que com a posse de bola, ele circulava bastante. Saía da zona dos zagueiros e procurava receber nas costas dos volantes. Com isso, ele confundia a defesa do Brasil: se circulava pelo lado, atraía o lateral. Por dentro, quem vinha marcá-lo era Thiago Silva, e não Fernandinho. Esse movimento fazia a linha defensiva do Brasil, que sempre marcou por setor, se quebrar durante o jogo. Veja a imagem:
De Bruyne circulando e quebrando a linha de defesa do Brasil (Foto: Leonardo Miranda)
De Bruyne circulando e quebrando a linha de defesa do Brasil (Foto: Leonardo Miranda)

Lukaku e Hazard pelos lados: infiltrações nas costas dos laterais

Quem olha a escalação imagina dois centroavantes jogando dentro da área. É possível afirmar que Thiago Silva e Miranda estavam esperando para ficarem colados em Lukaku e Hazard o tempo todo. Mas a Bélgica escolheu deixar os dois zagueiros livres. Sabia da força deles na Copa inteira. Lukaku e Hazard procuravam infiltrar às costas dos laterais. Caíam pelo lado, corriam e recebiam a bola já com Marcelo e Fagner atrás, correndo. Veja na imagem.
Lukaku e Hazard pelos lados (Foto: Leonardo Miranda)
Lukaku e Hazard pelos lados (Foto: Leonardo Miranda)
Veja como os zagueiros ficaram sozinhos. Se não tinham a quem marcar, ou corriam para trás, na tentativa de fechar o espaço, ou tentavam criar algum tipo de compensação. Em alguns momentos, De Bruyne atraía Thiago Silva para sua zona. Recebia a bola e girava muito rápido, conectando a Lukaku e Hazard. Com a linha de defesa quebrada, abria-se um grande espaço para eles infiltrarem e correrem em direção ao gol. Esse lance deixa claro: zagueiro atraído para o meio-campo, Paulinho e Fagner atrás da bola.
Linha defensiva do Brasil quebrada (Foto: Leonardo Miranda)
Linha defensiva do Brasil quebrada (Foto: Leonardo Miranda)

Detalhes de posicionamento na bola parada

Você leu aqui que a bola parada é extremamente influente nesta Copa do Mundo. Com os gols hoje, a taxa de olsg oriundos de jogadas assim chegou a 40% dos gols. Foram 23 só de escanteio. Quis o destino que esse fantasma aparecesse de novo. O primeiro gol da Bélgica foi um daqueles lances de sorte, onde um simples detalhe influencia e provoca uma reação em cadeia em tudo.
Se você observar e rever o lance com muita clareza, irá ver que um belga pula antes de todo mundo. Será que esse salto não tirou a atenção de Fernandinho e Jesus, que estavam no primeiro pau? O Brasil marca as bolas paradas por zona. Pelo menos 4 ou 5 se alinham na frente de Alisson. Há também o uso dos escudeiros - jogadores que tentam bloquear quem vem de trás de forma mais individual. Um dos preceitos de lidar com os escanteios assim é lidar muito bem com sua zona de influência. É preciso verificar a trajetória da linha da bola e saltar no momento certo para interceptá-la. Se o belga salta antes, prejudica a visão de Fernandinho. E aí vem o aleatório: a bola bateu nele e foi pro gol.
A bola parada do Brasil (Foto: Leonardo Miranda)
A bola parada do Brasil (Foto: Leonardo Miranda)
O segundo gol da Bélgica também tem origem num detalhe de bola parada. Ele começa num escanteio do Brasil. A bola é afastada. No seu time, você sabe que o centroavante - mais alto e forte - participa nos lances de escanteio. É uma ajuda a mais na defesa. Adiciona força. Mas a Bélgica optou por deixar seu jogador mais forte fora do escanteio. Lukaku ficou mais à frente, com um objetivo: iria fazer o pivô nessa segunda bola. Assim, daria tempo para o time ganhar metros e correr para a frente, transformando o lance num contra-ataque.
Lukaku no escanteio do Brasil (Foto: Leonardo Miranda)
Lukaku no escanteio do Brasil (Foto: Leonardo Miranda)
Fernandinho nunca foi um jogador que ganhou grandes duelos individuais. Tem na articulação e posicionamento seus grandes fortes. Mas hoje, o jogo pedia força física. Não cabe uma avaliação apenas individual aqui. A questão é o contexto. O erro não é do Fernandinho, é de todo o coletivo. Observe como, no desenrolar da jogada, ele faz o papel dele e vai pressionar Lukaku. Não consegue. Deixa a marcação para Paulinho, muito mais forte e que ganha vários duelos assim. Mas o camisa 15 também perde o tempo da bola, e a jogada cai nos pés de De Bruyne.
Detalhe do segundo gol da Bélgica (Foto: Leonardo Miranda)
Detalhe do segundo gol da Bélgica (Foto: Leonardo Miranda)
Todo jogo de seleção brasileira é um exercícios de extremos. Somos tão apaixonados que nos deixamos levar por essa emoção. É natural - se você sente, você está vivo. Mas há coisas que vão além do puro coração. O Brasil cai de pé na Copa do Mundo não porque venceu, mas porque deu seu melhor em todos os minutos. Ao todo, foram 24 chances construídas durante a partida, mais do que qualquer outra nesta Copa do Mundo.
O jogo é um prato cheio para comprovarmos nossas teorias. Se gostamos de Tite, o apoiamos. Se não, o avacalhamos. Procuramos enxergar as histórias que nos deem um pouco de segurança nesse grande mundaréu de opiniões que o futebol provoca. Não existem verdades absolutas, tampouco culpados. O mais próximo de uma verdade ou de um motivo está no jogo. Apenas nos 90 minutos e no que acontece dentro dele.
Faltou pontaria? A culpa é de Jesus? Tite mexeu mal? A convocação foi ruim? Fernandinho não deveria ter sido convocado porque falhou no 7 a 1? Sem teses prontas: perder ou ganhar é do jogo. Se um jogador vai mal, não lhe faltou caráter ou coração. Lhe faltou desempenho. Detalhes que influenciam um jogo todo. Porque o futebol é um jogo de erros e acertos. Um verdadeiro xadrez de pequenas decisões. Hoje foi a Bélgica quem tomou as melhores.
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Nem Mourinho, nem Guardiola: Copa mostra a influência de Jurgen Klopp no futebol atual

Gols de bola parada, contra-ataques, defesas cerradas e jogadas de muita velocidade. A Copa do Mundo mostra a influência das ideias do técnico do Liverpool no jogo contemporâneo

Nem Mourinho, nem Guardiola: Copa mostra a influência de Jurgen Klopp no futebol atual
Leonardo Miranda
Por Leonardo Miranda
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"As coisas fundamentais acontecem quando o tempo passa". O trecho é de "As Time Goes By", canção eternizada no clássico Casablanca, de 1942. Humphrey Bogart e Ingrid Bergman se amam, mas o tempo faz com que não fiquem juntos. Na Copa do Mundo, o tempo também apronta das suas. O futebol jogado mostra que Guardiola e Mourinho estão ficando para trás. E um novo nome surge como mentor do jogo: Jurgen Klopp.
A periodicidade da Copa sempre fez do torneio um celeiro de novidades. Os times apresentam conceitos vindas dos clubes e dominantes em seus países ou continentes nos 4 anos que se passam. A Holanda de 1974 foi fruto de um Ajax tri-campeão europeu anos antes. Há pelos menos 3 Copas do Mundo, o jogo é regido pelas ideias de dois técnicos muito especiais: José Mourinho e Pep Guardiola. Eles ganharam tudo em seus clubes - apesar de não terem dirigido seleções.
Mas suas ideias foram remodeladas. Repensadas. Simeone, Zidane e Ancelotti foram alguns dos técnicos que ajudaram a fundar um outro ciclo. Klopp surge como o principal expoente desse novo ciclo. Um futebol meio doido, sempre a mil por hora. Mais "rock'n roll" que ópera clássica. Primeiro, vamos entender as contribuições de Mou e Pep ao jogo:

Mourinho: a revolução do jogo pelo controle do espaço

Mourinho é o expoente da chamada periodização tática. O conceito abole os famosos coletivos e treinos em caixa de areia. Os trabalhos passam a ser intensos e curtos, com um objetivo: copiar o jogo. É uma inversão da famosa frase "treino é treino e jogo é jogo". A parte tática, técnica e física começou a ser trabalhada de forma integrada, em uma sessão de treino. Tudo para estimular um jogo mais rápido e inteligente, que seguisse princípios e não apenas encaixasse talentos - o famoso modelo de jogo. Sabe a intensidade que Tite tanto cita nos treinos? Vem daí.
A Copa do Mundo de 2006 é exemplo da influência do português. O espaço para jogar encolheu consideravelmente. Mourinho entendeu que a região de maior proteção era a entrada da área, o chamado funil. A linha de defesa fechava aquele espaço, com pontas e volantes voltando junto aos laterais. Se antes os times se espalhavam em 30 ou 40 metros, o jogo passou a acontecer em 20 metros. A Itália ganhou a Copa com um futebol de extrema compactação, e o time mais contemporâneo do torceio era a Alemanha: sem líbero e fechando seu campo em coisa de 15 metros, como na imagem.
A linha de defesa da Alemanha na Copa de 2006 (Foto: Leonardo Miranda)
A linha de defesa da Alemanha na Copa de 2006 (Foto: Leonardo Miranda)
O futebol é um grande jogo de consequências. Se um time vence de uma maneira, seus adversários começarão a estudar e pensar em novas maneiras de bater aquela ideia dominante. A revolução metodológica de Mourinho provocou um aumento considerável na velocidade do futebol. Se seu adversário está encolhido em 15 metros, é preciso ter movimentações rápidas, que abram espaços para jogar. A Premier League, conquistada por Mourinho em 2006 e 2007, se consolidou como um campeonato de transições e "loucura". O camisa 10 deu uma sumida: não havia mais como um jogador como Riquelme passar tanto tempo com a bola. Era preciso tocar e passar rápido. Quanto mais rápido, melhor.

Guardiola: a revolução do jogo pelo controle da bola

Todas as mudanças de Mourinho tem como objetivo controlar os espaços de jogo. Foi Pep Guardiola quem inverteu a lógica: passou a dominar a bola. Seu Barcelona tocava de forma tão rápida e organizada que o adversário simplesmente não a tinha. Sabe a obsessão pela posse de bola? Surgiu daí. A grande novidade de Pep foi resgatar o jogo de posição. O Barcelona ocupava espaços de forma a garantir que todo mundo tivesse opções de passe. E também garantia que, a cada passe, o adversário "saísse" do lugar, quebrando aquela linha de handebol que Mourinho planejara.
Havia outro detalhe tático no Barcelona. E ele acontecia sem a bola. A periodização tática melhorou o preparo físico dos jogadores. O jogo ficou mais veloz, e começou a exigir jogadores mais inteligentes, rápidos em tomadas de decisão. O Barcelona só conseguia ficar com a bola porque exercia uma marcação muito intensa e sufocante ao perder a bola. É o chamado "pressing", como você vê na imagem. Ter mais e mais jogadores pressionando e sufocando. Se retoma a bola, alarga o campo e volta a ocupar espaços para trocar de passes.
O "pressing" do Barcelona contra o Santos em 2011 (Foto: Leonardo Miranda)
O "pressing" do Barcelona contra o Santos em 2011 (Foto: Leonardo Miranda)

Klopp: controle? o mais importante é fazer mais gols

O ano era 2013. Guardiola iria assumiu o Bayern ao fim da temporada. Mourinho estava em seu último ano no Real. Mas quem chegou na final da Champions League foi o Borussia de Jurgen Klopp. Havia naquele time alguns detalhes que pareciam moldados para vencer Mourinho e Guardiola. Não é por acaso que Klopp ostenta uma marca impressionante: tem mais vitórias contra os dois.
  • Klopp contra Mourinho: 3 vitórias, 1 empate, 1 derrota
  • Klopp contra Guardiola: 7 vitórias, 1 empate, 5 derrotas
Para entender a importância de Klopp nesta Copa, é preciso entender o que ele apresenta às duas filosofias. Primeiro, Klopp ensinou que aproveitar os espaços quando o adversário perde a bola era incrivalmente eficiente. O "pressing" era executado por Guardiola, mas seus times tocavam para trás. Klopp foi o principal destruidor da teoria da posse de bola: recupera e parte de forma fulminante ao ataque, sem dó alguma. Nada de construir ou atendar a ideia do "jogo de posição". Foi assim que Klopp destroçou o City de Guardiola na Champions League desse ano, num movimento que ficou apelidado de "Gegenpressing".
A pressão fulminante do Liverpool num jogo da Premier League (Foto: Leonardo Miranda)
A pressão fulminante do Liverpool num jogo da Premier League (Foto: Leonardo Miranda)
Se hoje Tite fala em "perde-pressiona" em suas coletivas, é porque Klopp ensinou que roubar a bola perto do gol e acelerar a partir daí era fundamental. As seleções na Copa também gostam de roubar a bola mais à frente, como a França. Assim nasceu o gol de Mbappé que eliminou o Peru: Pogba retoma, toca e o time todo faz o movimento de correr e atacar o espaço. O gráfico abaixo mostra a altura do campo onde as bolas são roubadas. Veja que as melhores equipes são as que roubam mais bolas perto de seu ataque.
Se hoje Tite fala em "perde-pressiona" em suas coletivas, é porque Klopp ensinou que roubar a bola perto do gol e acelerar a partir daí era fundamental. As seleções na Copa também gostam de roubar a bola mais à frente, como a França. Assim nasceu o gol de Mbappé que eliminou o Peru: Pogba retoma, toca e o time todo faz o movimento de correr e atacar o espaço. O gráfico abaixo mostra a altura do campo onde as bolas são roubadas. Veja que as melhores equipes são as que roubam mais bolas perto de seu ataque.
Klopp influenciou o futebol ao mostrar que se pode atacar times que sufocam e querem ficar com a bola. A consequência foi que os times precisavam cada vez mais construir as jogadas de forma rápida, saindo dessa pressão. Guardiola, Mourinho e muitos outros se adaptaram. A melhor resposta veio do Real Madrid de Zidane: fluidez, muita movimentação e um jogo pensado para deixar os atacantes mais à vontade. Talento perto da defesa, totalmente bloqueada como o Irã fez nesta Copa.
O técnico reinterpretou a necessidade de combater as defesas influenciadas por Mourinho com um novo modo de defender. O Liverpool fazia os mesmos movimentos de proteger o funil, mas não se defendia com 10 jogadores. Apenas 7 voltavam. O trio composto por Salah, Mané e Firmino ficava esperando contra-ataques, prontos para pegar a bola e aproveitar os espaços. Klopp mostrou que era possível ter uma defesa compacta e eficiente com menos jogadores se houvesse muita pressão e velocidade nos movimentos.
Defesa do Liverpool (Foto: Leonardo Miranda)
Defesa do Liverpool (Foto: Leonardo Miranda)
Um dos detalhes táticos do Liverpool era um tripé de volantes que "balançava" pro lado da bola, com o intuito de criar a chamada superioridade numérica por aquele setor. O movimento é frequente no mundial. Abaixo você vê a Tunísia se defendendo assim, com uma linha de cinco na defesa. Mas times com uma linha de quatro também fizeram o mesmo que Klopp no Liverpool: todo mundo "balança" pro lado da bola, sufoca o adversário e tenta roubar essa bola pra emendar um contra-ataque.
Tunísia jogando como handebol (Foto: Leonardo Miranda)
Tunísia jogando como handebol (Foto: Leonardo Miranda)
Defesa, posse de bola...a influência de Klopp nos times não para por aí. O jogo está cada vez mais veloz e é jogado em menos espaços. Logo, abre-se uma lacuna imensa para o contra-ataque. Não é por acaso que a Bélgica, adversária do Brasil, tem o melhor ataque dessa Copa. Pelo menos 3 gols foram feitos em jogadas de contra-ataque onde há uma movimentação tão intensa como o Liverpool tinha: rouba a bola, movimenta pra bagunçar e chega ao ataque com muita gente.
Harry Kane é o artilheiro do torneio com 6 gols, e logo atrás dele estão centroavantes fortes, mas com mobilidade. São os pivôs: jogam de costas, preparam bolas e seguram defesas para que um espaço seja aberto. Não é por acaso que Firmino, treinado por Klopp, peça passagem na seleção pela capacidade de sair da área e fazer gols com 9 matador. O gol de Mbappé contra a Argentina é um bom exemplo desse centroavante à lá Firmino no Liverpool.

O quarto gol da é uma aula. Saída limpa do goleiro, meio-campo perto da bola e flutuando e o pivô de Giroud, que atrai a zaga da e dá o espaço para Mbappé infiltrar. Troca rápida de passes e velocidade. Golaço!
Steve Jobs disse que a criatividade é a arte de conectar ideias. Nada do que você leu se caracteriza em uma revolução, ou algo inédito, totalmente novo. Muitas vezes o novo é uma reinvenção do passado com temperos do presente. Mas o futebol é feito de ciclos, se reinventa e muda o tempo todo. Nem Guardiola, Mourinho ou o casal de Casablanca conseguiram a eternidade. Hora do futebol se render à passagem de bastão para Jurgen Klopp como grande influenciador do jogo contemporâneo.
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Apelido de 'Correria' é levado à risca por Rui às vésperas de impedimentos eleitorais

Quinta, 05 de Julho de 2018 - 07:20


por Fernando Duarte
Apelido de 'Correria' é levado à risca por Rui às vésperas de impedimentos eleitorais
Foto: Reprodução / Instagram
Dentre algumas características marcantes da atual administração do governador Rui Costa (PT) na Bahia está o apelido peculiar que a Secretaria de Comunicação conseguiu atrelar a ele. O “Correria” está até na camisa utilizada pelo governador para torcer para o Brasil nos jogos da Copa do Mundo da Rússia, como uma estratégia de marketing de massificar o espírito executor do petista ao longo dos últimos anos. A alcunha pegou e os aliados gostam de usar o “Correria” para se referir a Rui com frequência.

No entanto, nas duas últimas semanas, o governador resolveu seguir ao pé da letra o apelido e acelerou o processo de assinaturas de ordens de serviços, entregas de obras e equipamentos e atos de inauguração. A medida provocou polêmica inclusive com a inauguração do Sistema Integrado de Abastecimento de Água de Campo Alegre de Lourdes, alvo de críticas da oposição após a Codevasf assegurar que as intervenções não estavam finalizadas. A intensificação da agenda de Rui não é meramente o resultado do trabalho desenvolvido ao longo dos últimos meses. Faz parte do calendário político-eleitoral e não há qualquer ilegalidade nisso. Por obrigação do calendário das eleições de 2018, um governador em exercício só pode participar de atos solenes de inaugurações, entrega de equipamentos e obras e assinaturas de ordens de serviço até 90 dias antes do dia D do pleito. Portanto, Rui só tem até o dia 7 de julho para fazer essas “entregas” e garantir o espaço midiático que as iniciativas proporcionam.

Somente nesta quinta e sexta-feira, o governador inaugura nova UTI no Hospital Roberto Santos, uma nova sede para o Batalhão de Policiamento em Eventos, a nova Sala do Coro do Teatro Castro Alves, o novo Hospital Couto Maia e entrega tratores e ônibus escolares às prefeituras. São algumas das agendas previstas para o petista às vésperas do prazo limítrofe para esse tipo de ação.

A data-limite, todavia, não terá atos de Rui enquanto governador. Haverá a reserva para uma agenda política, o início mais formal da campanha eleitoral da tentativa de reeleição do atual morador do Palácio de Ondina. Até lá, no entanto, vai sobrar correria para tentar ocupar os espaços midiáticos disponíveis. Pelo menos enquanto a campanha eleitoral não começa oficialmente – já que extraoficialmente ela foi iniciada desde a vitória de Rui na eleição de 2014.

Este texto integra o comentário desta quinta-feira (5) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Excelsior, Irecê Líder FM e Clube FM.

https://www.bahianoticias.com.br/
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Atacar o Brasil e se defender com os 11 jogadores, promete técnico da Bélgica


Considerando o teste mais difícil, o Brasil enfrenta a Bélgica nesta sexta-feira em duelo valendo pelas quartas de finais do Mundial da Rússia. Na fase anterior o Brasil derrotou o México por 2 x 0, enquanto os belgas venceram o Japão com um gol no último minuto de jogo.
O técnico Roberto Martinez da Bélgica em entrevista nesta quarta-feira a Agência de Noticia EFE, garantiu que não pensa em mudar a forma da seleção belga atuar
“Não podemos mudar o que somos, e somos uma equipe ofensiva. Tanto o Brasil quanto nós temos a característica de marcar gols e buscar a vitória”, afirmou o comandante espanhol.
“A seleção brasileira vai buscar a bola, mas a diferença será o que cada um vai fazer com ela. Para enfrentar o Brasil, precisamos atacar e defender com os 11 jogadores”, previu o treinador.
Martínez acredita que enfrentar a equipe de Tite será um desafio para seus jogadores, mas também uma motivação.
“O Brasil é um das equipes favoritas ao título, e isso nos coloca em um papel muito diferente. A partida será um sonho para os jogadores. Eles nasceram para este tipo de confronto. Queremos seguir na competição”, avaliou.
Depois de vencer, de virada, o Japão por 3 a 2 nas oitavas de final, a Bélgica chegou às quartas da Copa pela segunda vez consecutiva. Se vencer o Brasil, estará nas semifinais pela primeira vez desde o Mundial do México, em 1986. Segundo Martínez, não é o momento de fazer grandes alterações.
“Precisamos manter a equipe equilibrada. Se tivermos o mesmo pensamento que mantemos contra o Japão, temos grandes chances. Como treinador, tenho muitas opções na equipe. Tenho pensado no esquema. Acima de tudo, estou levando em conta a pressão e as expectativas que colocam em nós”, disse.
O técnico espanhol avaliou o elenco dos pentacampeões e falou sobre a ausência do volante Casemiro, suspenso após ter recebido dois cartões amarelos.
“O time brasileiro tem um equilíbrio fantástico. Podem jogar com três ou quatro atacantes. Entram no setor defensivo dos rivais com profundidade. Vão sentir a ausência de Casemiro, mas têm Fernandinho, que é muito experiente”, lembrou.
Apesar de reconhecer o favoritismo da equipe brasileira, Martínez demonstrou confiança no rendimento da seleção da Bélgica para conseguir chegar às semifinais.
“Trabalhamos nisto durante anos e estamos tão preparados como podemos. Ganhamos todas as partidas, todos jogaram e marcamos 12 gols. O jogo contra o Japão nos deu mais motivação. Se jogarmos bem, temos muitas chances de nos classificar, mas não há margem para erro. Se você der uma oportunidade ao Brasil, eles a aproveitarão”, concluiu.
https://futebolbahiano.org/2018/07/atacar-o-brasil-e-se-defender-com-os-11-jogadores-promete-tecnico-da-belgica.html
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Capim, do Águia Clube | Eneas Brito, da Liga Desportiva de Jequié - Falando de Esportes - 29/04/26