As mudanças táticas de Tite e o jogo de Willian que levaram o Brasil às quartas
Entenda como o desempenho de Willian e as mudanças de Tite fizeram o Brasil sair da armadilha do México no primeiro tempo e chegar às quartas em grande jogo
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2018/e/A/vn42jgRMKIFpacGETdYw/2018-07-02t150923z-78516134-rc15d57c0900-rtrmadp-3-soccer-worldcup-bra-mex.jpg)
Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Por Leonardo Miranda
companhe a cobertura completa da Copa do Mundo no Twitter @leoffmiranda e no Facebook do Painel Tático
Nenhum jogo é fácil nesta Copa. Mas o Brasil dava sinais que poderia ter um domínio mais amplo e com menos apuros, como contra a Sérvia. Não foi o que aconteceu. O México fez um primeiro tempo de manual. Pareceu que estudou muito bem o Brasil e, por 25 minutos, fez o favoritismo desaparecer. Até dois brasileiros literalmente virarem o jogo. Willian fez seu melhor jogo pela seleção no segundo tempo e Tite mudou o time para equilibrar e superar a armadilha do rival.
Bloqueio na "saída sustentada" e infiltrações nas costas da defesa
Juan Carlos Osorio ousou. A escalação com Rafael Marquéz sugeria uma linha de cinco defensores, mas o que se viu foi o México montado num 4-3-3 que avançava suas linhas e procurava marcar bem alto. O trio de atacantes se posicionava nas costas de Paulinho e Casemiro. De frente para a defesa do Brasil, procuravam incomodar ao máximo a chamada "saída sustentada", um mecanismo que foi bem contra a Sérvia (leia mais aqui).
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2018/q/x/Sk8nHGSDqSQqVVueN0ww/mexico-1.jpg)
México marcando alto no primeiro tempo (Foto: Leonardo Miranda)
Um dos entraves que o México fez foi afastar Coutinho da ligação entre defesa e ataque. O camisa 11 ficou afastado e demorava para fazer as triangulações. Sem Marcelo, o lado que era forte ficou fraco. Apenas Neymar recuava, e a marcação mexicana já fechava o cerco. Veja na imagem como há 3 mexicanos contra Neymar, isolado. Mas se ele recuou, é porque a bola não chegava com qualidade no ataque.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2018/X/D/BTcv8mT9upcgywMg3BbA/mexico-2.jpg)
México cortando a saída sustentada (Foto: Leonardo Miranda)
O cenário ficou ainda pior quando o México ensaiou alguns contra-ataques. O trio de atacantes não voltava. A ideia de fazer o mesmo contra a Alemanha - aproveitar os espaços que o adversário dá quando ataca - foi seguida tão à risca que eles não voltavam nem para os escanteios. Por 25 minutos, o Brasil travou. E viu Lozano, Vela e Chicharito explorarem as costas dos volantes e pegarem a linha do Brasil desmontada, como no lance. Fagner sofreu e o México, por pouco, não abriu o placar.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2018/k/j/h9QUmNSAOcLrMdzw4jmQ/mexico-3.jpg)
Contra-ataque do México (Foto: Leonardo Miranda)
A mudança para o 4-4-2 que equilibrou o jogo
As ideias que se juntam dentro do 4-1-4-1 do Brasil foram completamente anuladas durante 25 minutos. Coutinho não conseguia recuar, Paulinho era vigiado de perto e Neymar enfrentava uma dura marcação. Defensivamente, o Brasil sofreu. Muito pela falta de combatitividade de Coutinho: ele cumpria o posicionamento e retornava por dentro, junto a Paulinho. Mas na hora de dividir uma bola, perdia o duelo e deixava a defesa no mano-a-mano com os velozes pontas mexicanos.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2018/8/A/TpU9B4QpiJkXTN2qADPQ/brasil-2-linhas.jpg)
Mudança do Brasil no 4-4-2 (Foto: Leonardo Miranda)
O jogo se equilibrou. O México não leu a mudanca de imediato, e o lateral continuava a "encaixar" em Neymar assim que ele pegava na bola. O lado direito virava um grande corredor que Coutinho soube, aos poucos, aproveitar. Paulinho fez jogo invisível, mas fundamental. Mais centralizado, protegeu bem a defesa e não deixou mais os pontas mandarem no jogo. Com Jesus prendendo a bola - no chamado pivô - ele teve tempo para infiltrar na área, como na imagem. O Brasil terminou o primeiro tempo com mais chutes a gol e 50% de posse de bola para amb
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2018/B/V/EI8qtCTYOBQVd5WtUE8Q/brasil-no-442.jpg)
Brasil atacando no 4-4-2 (Foto: Leonardo Miranda)
Willian sai da direita e circula por dentro
Osorio surpreendeu mais uma vez e colocou Layún no lugar de Rafa Marques. Aberto pela direita, ele teria a missão de ajudar no cerco a Neymar. A mudança se provou um equívoco. Abriu espaços para Neymar circular mais e sair bastante da esquerda. Mas foi outro jogador que teve um destaque ainda maior. Talvez o mais criticado dessa Copa, Willian foi fundamental não apenas na construção do gol, mas em boa parte do bom segundo tempo que o Brasil fez.
Além de jogar muito mais, Willian saiu da posição sempre aberta na direita. Passou a circular mais por dentro, procurar a bola de Paulinho e Casemiro pelo centro do campo. Nesse movimento, ele não apenas confundiu a defesa do México, mas também dava espaços para Fagner vir por fora e apoiar e até Paulinho, que gosta de aparecer no setor. O gol saiu justamente assim, com Willian vindo buscar uma bola da defesa por dentro, trocando com Paulinho. Toca, levanta a cabeça e vê Neymar aberto.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2018/B/e/Awy2d7Q9OId9LudjVMhQ/gol-1.jpg)
Circulação de Willian no gol brasileiro (Foto: Leonardo Miranda)
Aí vem a importância de circular. Estar sempre em movimento, uma forma de enganar o adversário e também se apresentar ao gol. Willian tocou para Neymar, que passou por dentro e devolveu. Quando Willian chegou dentro da área, viu pelo menos 3 brasileiros em condições de receber. Não basta apenas se movimentar, é preciso estar nos lugares certos e com a intenção de fazer o gol. Jesus, Paulinho e Neynar estavam dentro da área, e até FILIPE LUÍS, o lateral, se apresentou com um claro objetivo: só empurrar para a rede.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2018/D/8/PdZL7lQOiozZkDjCfWqw/gol-2.jpg)
Área do México no gol do Brasil (Foto: Leonardo Miranda)
O 1x0 construído foi a chave para o Brasil "saber sofrer". A consistência defensiva é tão importante como o ataque. Salientado no 4-4-2 com Paulinho e Casemiro próximos, a seleção trancou o jogo do México, teve menos a bola no segundo tempo e o objetivo era contra-atacar. Fernandinho, possível substituto do amarelado Casemiro nas quartas, e Firmino, entraram. Novo fôlego para lidar com os espaços que apareceram. E também nas partidas excelentes de Thiago Silva e Miranda. Uma zaga que transporta o saber sofrer em rebatidas e roubadas com um timing certeiro.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2018/7/1/iZ8dB5RIuHkaDACTruZQ/brasil-2.jpg)
Brasil "sabendo sofrer" no segundo tempo (Foto: Leonardo Miranda)
O segundo gol veio em roubada fundamental de Fernandinho, novo lance certeiro de Neymar e Firmino ocupando a área.
Tite sempre fala em "plano b" e "plano c". As dificuldades nesta Copa fizeram o técnico lançar mão de vários recursos. Contra a Costa Rica, ele resgatou uma ideia de Guardiola chamada "ataque posicional" (leia mais aqui) para romper a difícil defesa com 5 zagueiros. Contra o México, foi a vez de um novo sistema, o 4-4-2, explorar de forma diferente os talentos brasileiros.
Acompanhe a cobertura completa da Copa do Mundo no Twitter @leoffmiranda e no Facebook do Painel Tático
https://globoesporte.globo.com/blogs/painel-tatico/post/2018/07/02/o-jogo-de-willian-e-as-mudancas-de-tite-que-levaram-o-brasil-as-quartas.ghtml

































/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2018/R/V/HkU8srTWm5dDBsG3MHTQ/2018-06-27t192934z-727383376-rc123c0d7100-rtrmadp-3-soccer-worldcup-srb-bra.jpg)
/s.glbimg.com/es/ge/f/original/2018/07/01/2018-07-01t142821z_1635513431_rc19d65fe670_rtrmadp_3_soccer-worldcup-bra-mex-preview.jpg)
/s.glbimg.com/es/ge/f/original/2018/07/01/18_05-info-capitaes-de-tite_01-07-18.jpg)