O jogo e as narrativas da derrota em São Paulo x Atlético Nacional
por Leonardo Miranda
O São Paulo perdeu para o Atlético Nacional por 2x0.
Esse é o resultado da partida. Placar que complica e muito a vida do São Paulo, tido como favorito. Maicon, comprado por R$ 26 milhões, errou e foi expulso num lance que poderia ter sido evitado e a partir daí a partida foi toda do Atlético.
Observe: as duas linhas acima falam do placar. Não do que foi o jogo. Sim, o jogo, os 90 minutos. O que aconteceu de fato nesse tempo para que esse placar fosse produzido. Só se falou na expulsão de Maicon, na briga depois da partida, nos erros de Bauza. Nada do jogo.
Um dos maiores males para quem quer entender o jogo são as narrativas criadas em cima deles. Muitas vezes, fatores subjetivos e que teriam pouco destaque se o resultado fosse outro (imagina o Maicon expulso e um gol do São Paulo logo depois?) ganham mais atenção do que a realidade. Pois numa partida de futebol só existe uma realidade: o que foi o jogo. E pouco se fala dele.
O Atlético Nacional de Reinaldo Rueda é o melhor futebol da Libertadores até aqui, junto com o Rosario Central. Um 4-1-4-1 com muita mobilidade e inteligência, que gosta de propor o jogo em casa e segura a pressão dos adversários fora. Foi assim com o São Paulo: superada a forte pressão inicial do time de Bauza, o Atlético soube acelerar e dosar marcação lá no campo de ataque com linhas recuadas, como você vê na imagem, durante o primeiro tempo inteiro.
A narrativa precisa explicar mais. Não apenas dizer "faltou fibra ao São Paulo". Não faltou. Até porque a partida estava equilibrada, num ritmo alto de disputa e de negação de espaços. A equipe de Edgardo Bauza, como se sabe, joga sob um modelo definido: pressiona forte a saída adversária e, com a bola, procura as triangulações para achar Calleri na área. Quantos gols não saíram de bolas que Ganso deu para algum lateral, cruzamento na pequena área e pronto, gol?
Acontece que o Atlético soube neutralizar esse ponto do São Paulo, desfalcado de Ganso e Kelvin. Ytalo é muito mais vertical, tem instinto de preencher espaços perto da zaga adversária. Muda muito a característica da linha de 3 do São Paulo, que ontem foi pouco criativa. A pouca criatividade gerou ansiedade. A ansiedade gerou erros. Os erros geraram irritação e…
A narrativa precisa explicar mais. Não apenas dizer "faltou fibra ao São Paulo". Não faltou. Até porque a partida estava equilibrada, num ritmo alto de disputa e de negação de espaços. A equipe de Edgardo Bauza, como se sabe, joga sob um modelo definido: pressiona forte a saída adversária e, com a bola, procura as triangulações para achar Calleri na área. Quantos gols não saíram de bolas que Ganso deu para algum lateral, cruzamento na pequena área e pronto, gol?
Acontece que o Atlético soube neutralizar esse ponto do São Paulo, desfalcado de Ganso e Kelvin. Ytalo é muito mais vertical, tem instinto de preencher espaços perto da zaga adversária. Muda muito a característica da linha de 3 do São Paulo, que ontem foi pouco criativa. A pouca criatividade gerou ansiedade. A ansiedade gerou erros. Os erros geraram irritação e…
Maicon foi expulso!
As narrativas, de novo. Até pouco tempo atrás valia o esforço de 26 milhões para um clube que devia salários porque ele era mais que um simples zagueiro. Hoje não vale mais. Até pouco tempo atrás Bauza era um técnico pragmático e fiel ao seu estilo. Hoje é burro porque não recompôs a linha da defesa com Lugano e o São Paulo deu espaços para o Atlético tocar a bola de forma apoiada e organizada no 2º gol. Perceba como as coisas mudam apenas por um lance, por um segundo…é muito injusto pensar assim.
O mundo e o futebol não são efêmeros a esse ponto. Não podemos julgar pessoas, trabalhos e situações inteiras por um lance de um segundo.
Produzimos pequenas histórias de acordo com o que pensamos sobre o mundo, não de acordo com o que o mundo é. Nesse jogo pesado do São Paulo, cada narrativa terá um pouquinho da visão pessoal. Nem sempre da verdade. É preciso ter cuidado com o tipo de análise que se lê. Só a que foca no jogo e no que foi o jogo dirá uma verdade mais “verdadeira” sobre o futebol.











