É pesada, muitíssimo pesada, a denúncia que a Veja estampou em seis
páginas centrais da revista que está a circular, atingindo, em cheio, o
PT baiano.
A delação foi feita por uma militante petista, Dalva Sele, presidente
do Instituto Brasil, o que agrava, em muito, o escândalo. De acordo com o
divulgado na reportagem da revista, Dalva, textualmente, afirma, na
abertura da denúncia, que, "com os recursos dos convênios para a
construção de casas populares, a gente empregava pessoas do PT, dava
apoio a militantes que estivessem passando por dificuldades e alimentava
as campanhas".
A partir daí desfila denúncias escabrosas atingindo nomes como os do
candidato ao governo Rui Costa, o senador Walter Pinheiro, o deputado
Nelson Pelegrino, o deputado e ex-ministro Afonso Florence e o
presidente da Embratur, Vicente José de Lima Neto.
Todos os denunciados, de acordo com Dalva, recebiam dinheiro que
deveria ser aplicado no projeto de construção das casas populares.
Não há momentos piores ou melhores para detonar, como é o caso deste
escândalo divulgado pela Veja, revista que se especializou em denúncias.
Dentre as quais as que envolvem a Petrobras, principalmente a última,
que trouxe à luz um número indecente de políticos, entre os quais três
governadores, 25 deputados e seis senadores.
A origem emergiu do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, que
balança a República a partir da troca das denúncias por uma delação
premiada, consequentemente a diminuição da sua pena.
Essa denúncia que abala a política baiana, porém, chega num pior
momento, porque alcança o PT baiano em rota final da campanha eleitoral.
E de forma devastadora.
Como sempre acontece, os denunciados negam que tenham sido
beneficiários pelos recursos que seriam destinados às casas populares.
Isso não basta, porém. Têm a obrigação não de apenas negar, como é feito
por todos os acusados, mas desmantelar o que disse a denunciante, além
de comprovar que nada aconteceu e, ainda, responder com processos
judiciais embasados em provas.
Imagina-se que quem denunciou fatos tão deprimentes deve ter elementos
comprobatórios para uso em caso de processo. Ademais, ao balançar os
denunciados colocando-os em situação dificílima, atinge-os na reta final
da campanha eleitoral e, bem provavelmente, os fatos serão explorados à
larga no horário eleitoral da propaganda política, como sempre acontece
em casos assim.
Costuma-se ficar difícil rebater sem provas, mas ainda pior será
desmanchar o estrago eleitoral. Não entendo, nem posso entender que seja
verdadeiro o que se divulga, embora a oposição na Assembleia já os
tenha denunciados anos atrás, e o Ministério Público parece não ter
tomado conhecimento, o que será obrigado a fazê-lo agora, como afirma a
promotora Rita Tourinho, que há quatro anos está na rota do escândalo,
mas alega que não tinha pista dos beneficiados, o que agora passa a ter
com a delação da petista presidente do Instituto Brasil, que nasceu na
Bahia em forma de ONG.
É um sacolejo e tanto na campanha eleitoral com repercussão nacional.
Como jornalista, prefiro aguardar que provas consistentes cheguem à luz.
Enquanto isso não acontece, fica valendo a denúncia. Deve-se acompanhar
se haverá, ou não, estragos na campanha, e o que poderá vir a acontecer
até o dia 5 de outubro, quando ocorrerão as eleições.
*Coluna publicada no jornal A Tarde desta terça-feira (23).