Encontros e reencontros
Hoje, fora de casa, contra o Olimpia, começa a decisão para o Atlético-MG. A
segunda partida será no Mineirão. Quem jogou toda a competição em um estádio
deveria, pelo regulamento, fazer também, no mesmo local, a final. O Atlético-MG
preferiu o Independência ao Mineirão por razões técnicas, supersticiosas e
psicológicas, e não econômicas. O trabalho, agora, é diminuir o desamparo, a
dependência emocional, de Cuca e dos jogadores.
O Atlético-MG tem mais chances que o Olimpia de ser campeão, mas os jogadores
não podem acreditar no oba-oba de alguns comentaristas, de que o Galo é um
supertime e que deu aula de futebol, contra o Corinthians. Contra o Tijuana e o
Newell's Old Boys, o Atlético-MG esteve muito perto da desclassificação.
Faltou dizer, na coluna anterior, que o estilo Galo Doido, de pressionar quem
está com a bola, em todo o campo, só é possível se os jogadores estiverem
envolvidos emocionalmente e muito bem fisicamente. O preparador físico do
Atlético-MG é Carlinhos Neves.
O desenho tático, 4-2-3-1, usado pelo Atlético-MG, pela seleção e pela
maioria das equipes, brasileiras e de todo o mundo, é, na prática, o mesmo e
antigo 4-4-2, criado pela Inglaterra, campeã do mundo em 1966. São quatro
defensores, dois volantes, um meia de cada lado, que atacam e voltam para marcar
ao lado dos volantes, formando uma linha de quatro no meio-campo, além de um
centroavante e de um meia, pelo centro, mais recuado, como Ronaldinho, no
Atlético-MG, ou mais avançado, um ponta de lança, como Neymar, na seleção.
As coisas vão e voltam, com nomes e números diferentes. Quase todos os
encontros, no futebol e na vida, são reencontros. Mudam apenas os personagens.
Só os gênios, raríssimos, são originais.
Teremos hoje São Paulo e Corinthians, pela decisão da Recopa. O grande
desafio de Paulo Autuori será desvendar o mistério, fazer Ganso brilhar. Ou será
que isso nunca vai acontecer, por causa de uma avaliação equivocada sobre o
jogador?
Nenhuma equipe do mundo joga com dois meias ofensivos (Ganso e Jadson), dois
volantes e dois atacantes. Não se deve confundir essa formação com o tradicional
4-4-2, com dois volantes e um meia de cada lado, que marcam e atacam.
Uma tentativa seria colocar Ganso ou Jadson mais perto do centroavante ou
recuar um dos dois para atuar de uma intermediária à outra, com funções
defensivas e ofensivas, como fazem Schweinsteiger, Pirlo, Xavi, Paulinho e
outros. Ganso nunca demonstrou mobilidade para ter dupla função.
Se Paulo Autuori desvendar o enigma, será muito mais reconhecido. Há muitos
jornalistas e torcedores que não gostam do treinador, muito mais por sua bela
voz, por seu português correto e por suas explicações professorais do que por
seu bom trabalho.
Tostão, médico e ex-jogador, é um dos heróis da conquista da Copa do
Mundo de 1970. Afastou-se dos campos devido ao agravamento de um problema de
descolamento da retina. Como comentarista esportivo, colaborou com a TV
Bandeirantes e com a ESPN Brasil. Escreve às quartas e domingos na versão
impressa de "Esporte".